Suspeito de envolvimento vai falar só em juízo
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 13 de maio de 1999
Agência EStado 
O técnico de informática Luiz César de Oliveira, um dos suspeitos de integrar a quadrilha que usava aviões da Força Aérea Brasileira (FAB) para traficar cocaína para a Espanha, disse ontem, por meio de seu advogado, Édson Ribeiro, que só espera a Justiça marcar seu depoimento para se apresentar oficialmente. Oliveira está foragido desde que foi decretada a sua prisão. O técnico chegou ao Rio dia 28, vindo de Madrid. Ele quer prestar depoimento em juízo, porque sabe que é inocente, disse Ribeiro.
Ontem, o advogado recebeu um relatório enviado via fax por Oliveira em que conta o que fez nas cinco vezes que foi à Espanha. Ele negou que participasse da quadrilha chefiada pelo americano John Michael White, desbaratada no dia 19 de abril com a descoberta de 32,9 quilos de cocaína dentro de avião da FAB. No relatório, que será enviado à CPI do Narcotráfico, Oliveira confirma que usou quatro vezes aviões da FAB para transportar encomendas para ele próprio e para Roberto Monteiro Zau, outro suspeito.
Oliveira nega que conhecesse o conteúdo das encomendas de Zau, que continua foragido. Segundo ele, Zau o procurou em agosto do ano passado dizendo que precisava de um profissional da área de informática para comprar componentes eletrônicos na Espanha. Pelo serviço, Zau teria oferecido U$ 1 mil e, por estar desempregado, o técnico acabou aceitando o serviço. O nome de Oliveira, teria explicado Zau, seria uma indicação do coronel-aviador Washington Vieira da Silva - também acusado de fazer parte da quadrilha e que está foragido -que, por sua vez, teria consultado o tenente-coronel Paulo Sérgio Pereira, irmão de Oliveira. O tenente-coronel está preso e já confirmou que entregou as malas com as drogas à tripulação do Hércules 130, no Rio, antes do avião embarcar para Recife.


