Washington, 05 (AE-AP) - Depois de ter deixado um rastro de sangue e ódio racial por dois estados americanos, o assassino racista Benjamin Smith, de 21 anos, suicidou-se com um tiro na cabeça em meio a uma perseguição policial, informaram hoje (05) autoridades de Salem, Illinois.
Membro de uma seita que inunda a Internet com suásticas e afirmações sobre a supremacia da raça ariana, a Igreja Mundial do Criador, Smith era o suspeito de ter matado, na sexta-feira à noite, em Chicago, Ricky Byrdson, o ex-treinador negro da equipe universitária de basquete Northwestern.
Meia-hora antes desse crime, Smith havia aberto fogo contra um grupo de judeus ortodoxos que deixava a sinagoga de Rogers Park, um bairro judeu de Chicago. Quatro deles ficaram feridos - dois estão em estado grave.
A carnificina continuou no dia seguinte na cidade de Urbana, na frente da Universidade de Illinois, da qual Smith tinha sido expulso anos antes. Ali, ele abriu fogo contra um grupo de asiáticos, ferindo um deles na perna. Em todos os ataques, ele descarregava duas pistolas - de calibre 38 e 22 - do interior de seu carro, um furgão Ford azul-claro, enquanto passava devagar por seus alvos.
Mas a real intenção de Smith era a de matar. Ele conseguiu concretizar esse desejo no domingo, ao disparar contra um grupo de coreanos que deixava um culto budista perto da Universidade de Indiana. O jovem Won Joon-yoon foi morto com dois tiros nas costas.
No domingo à noite, a foto de Smith e as placas de seu carro já estavam em praticamente todas os canais de TV do país e o cerco se fechava em torno do assassino. Numa tentativa desesperada de fuga, ele usou as armas para roubar outro carro, mas viu-se encurralado entre bloqueios de estrada e vários carros de polícia que vinham em seu encalço. Suicidou-se para não cair nas mãos das autoridades.
O líder da Igreja Mundial do Criador, Matt Hale, afirmou que seu grupo prega a não-violência e usa "somente a persuasão" para cumprir sua meta de promover a raça branca.
Mas, numa gravação obtida há anos por repórteres, Hale pode ser ouvido conclamando seus seguidores a "vencer a guerra santa racial" e advertindo que retribuiria, com intensidade maior, todos os atos de violência contra seu movimento.
"Ele quis celebrar a seu modo o 4 de Julho (data da independência americana)", disse uma ex-namorada de Smith, Elizabeth Sahr. "Rebelou-se contra o governo e todos aqueles que não pensam como ele."
Smith tinha sido preso no ano passado, também durante o 4 de Julho, ao distribuir panfletos nos quais acusava o governo americano de "ter-se voltado contra os brancos".

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