Rio de Janeiro, 19 (AE) - O modelo e escultor Márcio Fonseca Scherer, de 26 anos, que é apontado pela polícia de Nova York como o provável assassino do comerciante de artes João Sabóia e está desaparecido, falou ao telefone na terça-feira com a proprietária do apartamento em que morava em Copacabana, na zona sul.
"Ele quis me dar uma satisfação por ter saído às pressas do apartamento na segunda-feira", contou a advogada Ruth Calheiros. Scherer não disse a ela onde estava, mas garantiu que mandaria a chave do imóvel pelo correio.
"Ele disse ainda que estava tudo certinho no apartamento e que a geladeira funcionava bem", lembrou. Para Ruth, o fato de saber que Scherer é suspeito do brutal assassinato ocorrido na noite de sexta-feira no hotel Waldorf Astoria, um dos mais tradicionais de Nova York, foi um grande choque.
"Era um rapaz ótimo e um bom inquilino, sempre pontual no pagamento", contou. O modelo alugava por R$ 400 mensais um conjugado de 18 metros quadrados. Segundo Ruth, Scherer é um dos homens mais bonitos que ela já conheceu. "Ele é mais bonito do que qualquer um desses que aparecem na televisão."
Bonito, pacato, responsável. Esses são os principais adjetivos usados pelos moradores do prédio em que Scherer morava. "Ele nunca deu nenhum problema aqui no prédio", contou a síndica, que não revelou seu nome.
"Não era de falar muito e nem encarava as pessoas." Ela afirmou que no sábado à tarde subiu com ele no elevador e ele lhe disse que estava voltando de Nova York naquele momento. "Ele falou que estava muito frio por lá", lembrou.
A síndica reparou que a mão de Scherer estava ferida e perguntou o que havia acontecido. "Ele respondeu que tinha caído na viagem." No dia seguinte, Scherer esteve no Hospital Miguel Couto, onde tratou das feridas no dorso da mão direita. Aos médicos que o atenderam, ele repetiu a história que contara para a síndica do prédio. No hospital, Scherer registrou-se com o nome completo e forneceu seu endereço verdadeiro. Na segunda-feira à tarde ele deixou o apartamento em que vivia há dois anos e dois meses com uma modesta mudança. Não revelou seu destino a ninguém.
Os vizinhos contam que Scherer era bem pacato e não costumava receber visitas. Segundo os porteiros, a única pessoa que frequentava assiduamente o apartamento era uma moça que, ao que tudo indica era namorada do modelo. "Ele disse para mim que tinha uma namorada", confirmou Ruth Calheiros, duvidando de um possível envolvimento amoroso do rapaz com o empresário morto. Pessoas que frequentam o circuito gay do Rio disseram que o nome e o rosto de Scherer não são conhecidos no meio.
À dona do apartamento em que morava, ele contou também que garantia seu sustento com trabalhos de modelo e figurante. A agência Luz e Cor confirma que Scherer trabalhava como modelo e que chegou a fazer parte de seu cast de profissionais. No final de 1996, fez figuração fixa na novela Salsa e Merengue, da TV Globo, na qual interpretava um segurança do personagem Urbano (José Wilker).
Ele, no entanto, dedicava-se a fazer esculturas de ferro e, há menos de um mês, fez uma exposição de seu trabalho para a qual convidou Ruth. "Acabei não indo." Scherer é gaúcho de São Leopoldo, cidade a 30 quilômetros de Porto Alegre, e mora no Rio há cerca de sete anos. Já morou no Recreio dos Bandeirantes e, nos últimos dois anos e dois meses morava no conjugado em Copacabana. Embora a Polícia Federal informe que não está investigando o paradeiro do modelo, agentes federais estiveram no apartamento de Scherer e conversaram com a proprietária.

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