Suspeito de ataque a centro judaico teria ligação com racistas
Los Angeles, 11 (AE-AP) - O homem que se entregou hoje (11) em conexão com o ataque contra um centro comunitário judaico em Los Angeles teve laços com grupos de ódio no noroeste dos Estados Unidos e recebeu ordens de um tribunal para continuar tomando remédios com prescrição médica.
Um homem que identificou-se como sendo Buford O. Furrow entregou-se nesta quarta-feira ao FBI em Las Vegas, Nevada, informou a porta-voz da polícia federal norte-americana Julie Miller.
Uma fonte disse que ele confessou o ataque e afirmou a investigadores que "ele queria que isso fosse um chamado para a América matar judeus".
Furrow está listado num banco de dados mantido pela Southern Poverty Law Center de pessoas ligadas a grupos radicais, disse Mark Potok, um pesquisador do centro baseado em Montgomery, Alabama.
Potok afirmou que Furrow foi um membro das Nações Arianas em 1995, e disse ter uma foto de Furrow usando um uniforme nazista, tirada naquele ano no sede da Nações Arianas em Hayden Lake, Idaho.
Num furgão que teria sido dirigido por Furrow foi encontrado um livro, "Ciclos de Guerra, Ciclos de Paz", escrito por Richard Kelly Hoskins, a quem Potok chamou de "um dos principais ideólogos da Identidade Cristã". A Identidade Cristã é um grupo religioso que considera o povo branco os verdadeiros israelitas e superiores aos judeus e não-brancos.
"Identidade é uma religião pós-milênio", disse Potok. "Isto significa que os radicais do grupo acreditam que, a fim de que Cristo volte à Terra, o planeta tem de ser limpo de forças satânicas - significando judeus, homossexuais e uma grande lista de outros inimigos. Portanto, trata-se de uma religião beligerante. É uma religião que exige que seus seguidores peguem em armas."
O jornal Seattle Times divulgou hoje que Furrow tentou se internar no ano passado no Hospital Psiquiátrico de Fairfax, em Kirkland, um subúrbio de Seattle, segundo o doutor Tim Rogge, antigo diretor do hospital. Entretanto, disse Rogge, num certo momento Furrow ameaçou vários funcionários com uma faca.
Arquivos de tribunais de King County, em Seattle, mostram que Furrow declarou-se culpado em 26 de abril de ameaça de agressão com faca. Ele foi sentenciado a oito meses de prisão, e 12 meses de supervisão comunitária. Ele recebeu crédito por tempo já cumprido e foi libertado em maio.
Furrow também estava impedido de comprar armas de fogo, e um tribunal ordenou a Furrow continuar tomando remédios com prescrição médica, disse Veltry Johnson, porta-voz do Departamento Correcional em Olympia, Washington. Ele não identificou o tipo de remédio.
O Times escreveu que Rogge não sabia que problemas psiquiátricos Furrow pode ter tido. Ele disse que provavelmente Furrow estava "procurando algum lugar seguro onde poderia conseguir algum tipo de ajuda".
O Spokesman-Review of Spokane, de Washington, divulgou que Furrow já viveu com Debbie Mathews, viúva de Robert J. Mathews, fundador de outro grupo de ódio, a Ordem. Mathews foi morto em 1984 quando seu esconderijo pegou fogo durante um tiroteio com agentes federais na Ilha de Whidbey, de Washington.
"Acho que ela o abandonou há cerca de um ano, e não o vi desde então", afirmou o policial Rick Reiber, de Metaline Falls
Washington, ao jornal.
Ninguém respondeu hoje aos telefonemas da Associated Press na casa de Debra Mathews, em Metaline Falls.





