Agência Folha
A sindicância feita pela USP sobre o caso da morte do calouro Edison Hsueh coloca Frederico Carlos Jana Neto, o Ceará, entre os quatro alunos que praticaram trote violento no primeiro dia de aula. Ele e outros três apontados pela investigação da faculdade confessaram à comissão ter praticado trote.
Ceará soube que havia sido incluído no relatório há cerca de uma semana, segundo contou à ‘‘Folha de S.Paulo’’ seu amigo A.B., 25, que pediu para não ser identificado. Além dele e dos outros três, nenhum outro aluno teria admitido que aplicou trote durante o churrasco.
Segundo A., Ceará disse à comissão que ele discutiu com um calouro durante o churrasco de recepção aos novos alunos e aplicou o trote da colher em outro calouro, quando um tenta acertar a cabeça do outro com uma colher.
A discussão, segundo os amigos de Ceará, ocorreu quando os veteranos arrastavam os colegas no chão do ginásio. A ‘‘brincadeira teria sido feita só com veteranos. Um dos calouros, abordado, recusou-se a participar e começou a insultar os colegas. Ceará saiu em defesa dos amigos e discutiu com ele.
O diretor da Faculdade de Medicina, Irineu Vellasco, disse que, apesar de quatro alunos terem sido apontados pela comissão por excessos no trote, não há indício de envolvimento deles com a morte.
‘‘Mesmo que o Ceará tenha sido citado no relatório, não foi com base na sindicância que ele foi preso. Mas não posso julgar a ação da polícia. Se o delegado o prendeu, foi porque achou que tinha indícios suficientes’’, disse Vellasco. Segundo o professor, o relatório, concluído ontem, agora será enviado à reitoria da USP, que instalará uma comissão processante para averiguar o que realmente aconteceu e estabelecer as punições necessárias.

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