Suspeito complica situação de skinheads
Agência Folha
De São Paulo
Um dos rapazes presos anteontem sob suspeita de participação no assassinato do adestrador de cães Edson Neris da Silva, de 35 anos, confirmou à polícia que integra um grupo de skinheads e que o crime foi praticado pela gangue.
Em depoimento, o barman Fernando Azadinho dos Santos, 19 anos, confirma que pertence a um grupo de skinheads conhecido como Carecas do ABC, que prega o extermínio de negros, nordestinos, homossexuais e judeus. De acordo com o relato de Azadinho, ele se encontrou com os demais detidos para ir à boate Madame Satã. No caminho, ficou sabendo da agressão. Os agressores, afirma o rapaz, justificaram o espancamento dizendo que a vítima parecia ser um homossexual.
Neris da Silva foi espancado até a morte por volta da 0h10 de anteontem quando passava pela praça da República (região central de SP) em companhia do vendedor Dario Pereira Netto, 34. Os outros 17 membros do grupo 15 homens e 2 mulheres se recusam a depor. Eles foram indiciados sob acusação de homicídio doloso e formação de quadrilha.
A polícia chegou ao grupo por descrições feitas por duas testemunhas da agressão o feirante Hélio Cândido da Silva e o morador de rua Adinei Santos Rocha. Eles afirmaram em depoimento que estavam na praça e viram quando Neris e seu acompanhante foram cercados por um grupo de cerca de 20 carecas.
O acompanhante conseguiu escapar.
O morador de rua deu dois dados que, de acordo com a polícia, foram fundamentais: no grupo, segundo ele, havia duas mulheres uma loira e outra ruiva. Além disso, ele viu que os agressores utilizaram um soco-inglês.
A polícia localizou um grupo semelhante ao descrito no bar Recanto dos Amigos, na rua 13 de Maio. Na abordagem, um soco-inglês foi apreendido no bolso da segurança Edilene Aparecida Pereira Bezerra, que é loira. Na delegacia, a gangue foi reconhecida pelo feirante e pelo morador de rua.
O adestrador Edson Neris da Silva estava vivendo um momento especial em sua vida. Ele havia passado no vestibular para assistente social e pretendia retomar os estudos, abandonados havia mais de 10 anos por dificuldades financeiras.
Ele ainda não havia feito a matrícula, mas estava muito feliz por ter passado no vestibular, disse Liliana Ferreira Fraga, cunhada da vítima. Para a família, Silva estava sempre disposto a ajudar. Ele morava no fundo da casa de seus pais, ao lado da casa de seu irmão Jurandir da Silva Santos, e tinha uma empresa de adestramento de cães, a Neris Trupy. Com a renda, ajudava os pais, desempregados.
Silva casou-se duas vezes. Sua primeira mulher morreu. Depois, uniu-se a outra mulher e passou a tratar as três filhas de sua companheira como se fossem suas filhas. O casamento durou sete anos. O casal separou-se dois anos atrás.
A cunhada disse que, no sábado, Silva recebeu um telefonema de Dario Pereira Netto convidando-o para sair. Eu fui ao supermercado e, quando retornei, ele havia saído. Mas Silva havia deixado um recado com sua mãe de que voltaria para ir ao aniversário de um amigo de Itapevi.
O corpo de Edson foi sepultado ontem, às 11 horas, no Cemitério Municipal de Itapevi. Cerca de 60 pessoas acompanharam o enterro. O pai de Neris, o pedreiro João Gabriel Raulino, estava abalado. A mãe, Aurelina Neris de Oliveira, carregou durante todo o tempo um buquê de crisântemos que, ao final da cerimônia, depositou sobre a sepultura número 274.Membro da gangue Carecas do ABC presta depoimento e diz ter ouvido dos colegas que Edson foi espancado porque parecia ser homossexual
Agência EstadoDESPEDIDAEnterro de Edson Neris da Silva foi acompanhado por cerca de 60 pessoas: espancado até a morte





