Foz do Iguaçu - Horas depois de prender Carlos Eduardo Sundfeld Nunes, 24 anos, a Polícia Federal de Foz do Iguaçu (Oeste) refez os passos do rapaz apontado como autor dos tiros que mataram o cartunista paranaense Glauco Vilas Boas, 53, e o filho dele, Raoni Vilas Boas, 25, na madrugada do último dia 12 em Osasco (SP). Cadu, como é conhecido, foi preso após ferir um agente federal a tiros quando tentava cruzar a Ponte da Amizade, na fronteira com o Paraguai, com um carro roubado. O rapaz pode ser transferido a qualquer momento para São Paulo.
O delegado federal responsável pelas investigações, Marcos Paulo Pimentel, contou que Cadu foi preso pouco depois das 23 horas, em um Fiesta preto, roubado na manhã de domingo em São Paulo. ''Ele contou que depois do crime teria se escondido em uma mata na região do Pico do Jaraguá até domingo de manhã. Ele tomou dois ônibus até a região de Campo Limpo, usou a pistola para roubar o carro de um homem, saiu de São Paulo pela Régis Bittencourt e chegou até Foz'', detalhou.
Por volta de 21h40, Cadu disparou seis vezes contra uma viatura do posto da Polícia Rodoviária Federal, em Santa Terezinha do Itaipu (Oeste), na BR-277. O carro foi atingido, mas nenhum policial se feriu. Por meio da placa, a polícia constatou que o veículo era roubado. Ele teria, então, desistido dessa primeira tentativa de deixar o país pela Ponte da Amizade.
Ao tentar novamente teve o carro abordado pelos agentes federais que fiscalizavam a fronteira. O rapaz teria descido do veículo e efetuado pelo menos mais seis disparos que feriram um agente no braço, sem gravidade. Em seguida, foi rendido e preso. Com ele, foram apreendidos uma pistola Taurus 7.65 com numeração raspada (provavelmente a arma usada para matar o cartunista e o filho dele), 25 projéteis intactos e ainda 2,7 gramas de maconha.
Ao ser interrogado, Cadu teria admitido ser o autor do duplo homicídio e revelado que pretendia fugir do país e comprar documentos falsos. Porém, o delegado destacou que ele apresentava ''argumentos pouco normais'', continuava afirmando que seria ''um profeta'' e permanecia ''agitado e alterado''. Por medida de segurança, foi colocado em uma cela isolada.
No final da manhã de ontem foi encaminhado para exame de corpo de delito no Instituto Médico Legal (IML). Em Foz, Cadu deverá responder pelos crimes de resistência à prisão, roubo de veículo, porte ilegal de arma e munição e tentativa de homicídio. Na Polícia Civil de São Paulo, ele responde ainda pelo duplo homicídio doloso (intencional).
A transferência de Cadu para Osasco pode ser feita a qualquer momento, segundo Pimentel. O delegado comentou que tanto o advogado da família do rapaz quanto o delegado paulista têm interesse que ele retorne para São Paulo, mas até o final da tarde de ontem, a PF não havia recebido nenhum pedido formal.
O cartunista e o filho dele foram mortos a tiros em frente de casa, em Osasco, na madrugada de 12 de março. Testemunhas reconheceram Cadu como sendo o autor do duplo homicídio. No domingo, um rapaz que teria dado fuga ao rapaz logo após os crimes se apresentou à Polícia Civil paulista, foi ouvido e liberado.
Glauco era natural de Jandaia do Sul e construiu sua carreira em São Paulo, onde trabalhava na ''Folha de São Paulo''. Paralelamente, o cartunista se dedicava também à Igreja Céu de Maria, fundada por ele próprio e que era ligada à doutrina do Santo Daime.

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