Suspeita de tráfico de órgãos em hospital do Rio é investigada
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quarta-feira, 11 de agosto de 1999
Por Andreia Maia 
Rio, 12 (AE) - A secretaria Municipal de Saúde e a Polícia Fluminense começaram a investigar hoje suspeita de tráfico de órgãos no Hospital Municipal Salgado Filho, no Méier, na zona norte, onde trabalhava o auxiliar de enfermagem Edson Izidoro, de 41 anos, acusado de matar 131 pacientes na unidade aplicando injeções letais para receber proprinas de funerárias.
O número excessivo de doações no hospital chamou a atenção da polícia: em 1998, o Salgado Filho contabilizou 104 doações, número vinte vezes maior que o Hospital Souza Aguiar, que registra um número de óbito maior.
Desde a prisão de Izidoro há quatro meses, a polícia vem recebendo várias denúncias da suposto tráfico no Salgado Filho e já ouviu, pelo menos, 600 parentes de vítimas que tiveram seus órgãos, principalmente as córneas, retirados ilegalmente. O fato levou uma equipe de detetives da Divisão de Homícidos da Polícia Civil a pesquisar as fichas de doações do Salgado Filho.
Essa semana, mais um caso foi denunciado à polícia: o do servente Arlindo Nunes Neto. De acordo com a família de Neto, ele foi internado no Salgado Filho, havia dois anos, após ter sido atropelado na Rodovia Presidente Dutra e dois dias depois morreu. No velório, parentes teriam observado que as córneas do servente haviam sido retiradas ilegalmente. A denúncia foi anexada aos depoimentos de outros familiares, que relataram casos semelhantes.
A direção do Salgado Filho informou que também vai apurar a denúncia dos parentes do servente e abriu sindicância. Além das investigações da secretaria do Município e da polícia, uma comissão de procuradores do município está analisando as fichas de doações e mortes ocorridas no Salgado Filho nos últimos dois anos. Existe suspeita de que Izidoro estaria envolvido na venda de órgãos na unidade.
O auxiliar de enfermagem está preso na Divisão de Capturas da Polícia Civil, no centro do Rio, onde aguarda julgamento. Nos seguidos depoimentos prestados à polícia e à Justiça, Izidoro negou participação no esquema do pagamento de propinas à funerárias no Salgado Filho e a existência de tráfico de órgãos na unidade. O auxiliar de enfermagem é acusado de homicídio duplamente qualificado pelas mortes constatadas de três pacientes flagradas pela polícia à época de sua prisão, no início de maio.


