SUS vai bancar cirurgia para adolescentes obesos
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quinta-feira, 11 de outubro de 2012
Lúcio Flávio Moura <br> <br> Reportagem Local 
Londrina - A redução da idade mínima para a realização de cirurgia bariátrica pelo Sistema Único de Saúde (SUS), de 18 para 16 anos, anunciada ontem, Dia Nacional de Prevenção à Obesidade, pelo Ministério da Saúde, foi bem recebida pelos especialistas ouvidos pela FOLHA.
O responsável técnico do ambulatório de cirurgia bariátrica da Santa Casa de Londrina, Milton Ogawa, aprovou a medida e disse que a principal implicação da mudança será legal. ''Para um adolescente que ainda não atingiu a maioridade será necessário autorização legal para o início do tratamento e um acompanhamento mais próximo dos pais no pré e no pós-operatório'', afirmou.
''É muito importante que os pais sejam muito bem esclarecidos, com um tempo grande de diálogo entre a equipe de apoio, os pais e o paciente. Que a decisão seja tomada com toda a certeza'', ponderou Ogawa, que desde 1999 já comandou milhares de cirurgias para emagrecimento na Santa Casa, hospital conveniado para procedimentos do gênero pelo SUS desde maio de 2010.
O médico ressaltou que a colocação do balão bariátrico é o procedimento mais simples e exige menos cautela. No entanto, as recomendações devem ser reforçadas nos outros dois tipos de cirurgia para perda de peso, o sleeve gástrico, que extrai uma boa parte do estômago, e a bypass gástrica, que além além do estômago também reconfigura o processo de reabsorção do alimento pelo intestino. Além da Santa Casa, apenas o Hospital Universitário é credenciado pelo SUS para cirurgias de emagrecimento em Londrina.
Ogawa, que faz parte da diretoria do escritório paranaense da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM), diz que já fez uma cirurgia - bem-sucedida - em um paciente de apenas 14 anos (segurado de um plano de saúde) e que não há nenhuma objeção científica ou fisiológica na redução da idade mínima dos pacientes.
Das 721 cirurgias feitas na Santa Casa desde setembro de 2010, 69,5% dos pacientes tinham entre 25 e 50 anos. Com pacientes com idade entre 19 e 24 anos, a Santa Casa realizou apenas 46 procedimento, ou 6,3% do total.
Fora do SUS, avaliando o mesmo período, o número é semelhante: a faixa etária dos 19 aos 24 anos significa apenas 8,4% das 666 cirurgias bariátricas feitas por meio de convênios. O número de cirurgias feitas por convênios em pacientes entre os 13 e os 18 anos foi de apenas três nos últimos 25 meses na Santa Casa - uma garota de 15 e duas de 16.
A psicóloga Susy Cristine Santos, que presta atendimento no Obesocentro, em Londrina, trabalha exclusivamente com avaliação psicológica de pacientes que vão enfrentar uma cirurgia bariátrica. ''Sou totalmente a favor da redução da idade. É uma medida muita acertada'', afirmou. Com aval científico, a especialista não descarta que outra redução da idade mínima vigore nos próximos anos.
Os pacientes pós-adolescentes recebem cuidados especiais, revela Susy, A psicóloga aumenta o número das sessões de psicanálise que antecedem a cirurgia. Enquanto um adulto faz de três a quatro sessões, um paciente desta faixa etária pode ter que passar por seis sessões antes de ir para a mesa de cirurgia. ''E não abro mão da presença dos pais na última sessão do tratamento'', destacou a psicanalista.
Ela diz que as limitações de alimentação que quem passa pela cirurgia tem que conviver para o resto da vida são muito menores do que as limitações que a obesidade provoca. ''Estas limitações são ainda mais traumatizantes na adolescência, um período de transição. O emagrecimento traz autoestima e autoestima melhora a saúde''.
Susy alerta que o tratamento psicológico no pré e no pós-operatório é fundamental para afastar o risco da compulsão por comer exageradamente seja substituída por outros tipos de compulsão, que podem resultar em quadros de alcoolismo e de dependência química.
De acordo com comunicado do Ministério da Saúde, a decisão de reduzir a idade mínima foi tomada com base em estudos que apontam o aumento da obesidade entre adolescentes. Dados da Pesquisa de Orçamentos Familiares de 2009 (POF) indicam que, na faixa de 10 a 19 anos, 21,7% dos brasileiros apresentam excesso de peso. Em 1970, o índice era 3,7%.
Antes de se submeter a cirurgia, o paciente entre 16 e 65 anos deve passar por avaliação clínica e cirúrgica e ter acompanhamento com equipe multidisciplinar durante dois anos. Nesse período, ele terá de fazer dieta e, se os resultados não forem positivos, a cirurgia será recomendada.



