SUS não dá atendimento especializado
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sábado, 25 de outubro de 1997
Agência Folha 
São Paulo
Arquivo FolhaPerigoO risco de uma mãe passar o vírus para o filho está entre 8% e 28%O número de mulheres grávidas com HIV no Estado de São Paulo já chega a cinco mil por ano. Representam cerca de 1% do total de gestantes que têm filhos na rede pública de saúde. A estimativa foi feita com base em pesquisas regionais realizadas pela Secretaria de Estado da Saúde.
Desse total de gestantes com HIV, entre 400 e 1.300 bebês vão nascer com Aids. Desde o início da epidemia, o total de notificações de Aids em crianças era de dois mil. O risco maior ou menor de uma mãe passar o HIV para o filho - de 8% a 28% - depende do acompanhamento e da medicação oferecidos na gravidez e na hora do parto.
Mulheres soropositivas ou com Aids, que estiveram reunidas no final de semana em Juquitiba (Grande São Paulo), disseram que a rede pública não tem leitos suficientes e não está preparada para atender essas gestantes. Quando chegam ao hospital, em trabalho de parto, algumas preferem esconder que são soropositivas para garantir atendimento, diz a enfermeira licenciada Edna Maria Lopes, 40, uma das coordenadoras do encontro de Juquitiba e da Apta, uma ONG de São Paulo.
A professora Nair Brito, que dirige a Rede Paulista de Mulheres com HIV-Aids, diz que poucos hospitais contam com a medicação necessária (AZT injetável para a mãe e em solução para o bebê) e que gestantes com Aids têm maior dificuldade em conseguir um leito.
Nenhuma mulher quer esconder que é soropositiva, pois sabe que agindo assim aumenta os riscos para ela, para o bebê e para todo mundo, diz Nair. Mas para dizer ela precisa ter a garantia de que terá um leito e que não será discriminada.
Nair relata o caso de Noêmia, que há três semanas teve um filho num hospital da Grande São Paulo. Ela estava informada da importância de contar no hospital, mas preferiu esconder com medo de ficar sem leito. A Secretaria da Saúde diz que a falta de leitos vem sendo reduzida e que profissionais estão sendo treinados.
Os dados da Secretaria da Saúde estão sendo levantados por meio dos testes anti-HIV realizados em gestantes. Quase todos os serviços do Estado que acompanham grávidas já oferecem esse exame. Em algumas regiões do Estado de São Paulo, como Ribeirão Preto, São José do Rio Preto, Sorocaba e áreas da Baixada Santista, pesquisas mostram uma soroprevalência de 1,6% a 2,0% entre as gestantes.
Em outras regiões, a taxa cai para 0,5%. Na média, a secretaria trabalha com um índice de 1%. Com cerca de 490 mil partos realizados pelo SUS no ano passado no Estado, estima-se que 4.900 gestantes estavam com HIV ao dar à luz. Este número pode passar de seis mil, pois calcula-se que outros 140 mil partos por ano sejam realizados por convênios.


