SUS de SP não usou material contaminado
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quinta-feira, 13 de maio de 1999
Por Juliana Junqueira 
São Paulo, 14 (AE) - O Sistema Único de Saúde (SUS) de São Paulo não corre o risco de ter utilizado em transfusões de sangue hemácias, albumina ou plaquetas contaminadas pelos vírus HIV e da hepatite B. A afirmação é do diretor-geral da Fundação Pró-Sangue de São Paulo/Hemocentro, Dalton Chamone. "A albumina usada no Estado é importada e somos auto-suficientes na coleta de plaquetas", afirmou Chamone. "Além disso, o controle de qualidade, responsabilidade da Vigilância Sanitária do Estado, é bom."
Chamone acredita nas hipóteses de falha na fiscalização, erro humano ou acidente, no caso da possível contaminação de pacientes de cinco Estados do País, detectado pela Fundação Hemocentro de Pernambuco (Hemope).
O sistema de captação de sangue em São Paulo é formado por hemocentros regionais, localizados em cidades como Botucatu, Campinas, São José do Rio Preto, Ribeirão Preto, Marília, São Paulo, São José dos Campos e Santos. Esses locais fazem testes para verificar a qualidade do sangue doado. "Os hemocentros também podem orientar os centros médicos a fazer os testes", explicou Chamone.
A fiscalização é realizada pela Vigilância Sanitária do Estado. "No ano passado o Hemocentro da capital passou por duas fiscalizações e, neste ano, por uma", disse. O Hemocentro é ligado à Universidade de São Paulo (USP). "O sangue no Estado de São Paulo é de boa qualidade e está no mesmo patamar do usado na Europa ou nos Estados Unidos", afirmou.
Os kits utilizados para a verificação da qualidade do sangue também passam por testes. Os equipamentos usados no Brasil são importados. "Todo lote que chega ao País passa por testes", disse. Segundo Chamone, os kits mais comuns são das empresas Abbot, Organon, Akzo, Sanofi e Ortho.
Contaminação - Chamone afirma que não conhece um caso de contaminação de vírus por albumina. "Quando o produto sai do laboratório, o frasco é esterilizado a 60º C por 24 horas", afirma. "No caso das plaquetas o risco também é pequeno, pois a vida útil é de cinco dias."
Segundo o infectologista Ricardo Diaz, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), uma doação de sangue pode infectar pelo menos três pessoas. Isso porque o sangue é fracionado em três componentes, além dos hemoderivados, e pode ser usado em transfusões para várias pessoas.


