Surto no Iapar leva ao fechamento definitivo de fonte
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terça-feira, 17 de novembro de 2015
Rafael Souza<br> Reportagem Local 
A diretoria do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) anunciou ontem, em entrevista coletiva, que o surto de toxoplasmose ocorrido no mês passado vai acarretar uma série de medidas preventivas para que a doença não volte à cena. A principal delas é o fechamento definitivo da fonte, localizada em frente à sede da instituição, nas margens da PR-445, que fornecia água gratuitamente ao público há pelo menos 12 anos.
"Desde 5 de outubro, quando a Vigilância começou a acompanhar esse caso, recebemos vários relatórios com uma série de medidas a serem tomadas tanto no restaurante como em nosso sistema de água. Muitas delas já foram tomadas e outras ainda estão sendo decididas. Avaliando todas as observações que a Vigilância nos fez, e a responsabilidade de quem fornece alimentos ao público, decidimos pela descontinuidade do fornecimento", informou o diretor de gestão de pessoas do Iapar, Adelar Motter, acrescentando que o corte também faz parte do planejamento para economia e reestruturação interna.
"Temos a convicção de que o nosso sistema sempre teve um controle de qualidade. Todas as análises que a UEL (Universidade Estadual de Londrina) fez em nossa água deram negativas. Estamos também em contenção de despesas pelo governo do Estado. É inevitável o vínculo com o surto nesse momento, sabemos que vai gerar questionamentos, mas temos responsabilidade com o fornecimento e decidimos não continuar", completou o diretor.
O Iapar já mantinha a fonte fechada, de forma temporária, desde o final de outubro, quando um casal que consumia a água do local procurou a instituição para informar que tinham sintomas de toxoplasmose. Os exames feitos deram negativo.
A direção do Iapar afirmou que já seguia à risca protocolos de higiene, principalmente no restaurante e no sistema de água, e que vai reforçar medidas para evitar qualquer risco aos funcionários. "Estamos adequando procedimentos no restaurante, a infraestrutura no sistema de abastecimento e armazenamento de água, normatizando comportamento dos servidores em relação aos animais aqui dentro. Temos feito também reuniões periódicas com todos os funcionários, prestando todas as informações de forma muito aberta e transparente. Estamos prestando toda a assistência necessária", ressaltou Motter.
Entre os funcionários do Iapar foram confirmados até o momento 41 casos da doença. Mas este número ainda pode aumentar, já que 198 ainda estão sob investigação. No total, foram realizados 761 exames. Segundo o médico do Iapar, Marcelo Mendonça, entre os casos que mais preocupam estão o de uma jovem gestante, de uma senhora de 63 anos e de um adolescente de 16 anos. "O caso da gestante obrigatoriamente tem que ser tratado e o acompanhamento será feito durante toda a gravidez. Depois do nascimento, o bebê será acompanhado, com sorologias pelo pediatra durante um ano", detalhou o médico.
De acordo com Mendonça, quase a totalidade dos demais infectados já não apresentam sintomas da doença. O risco da perda de visão ainda existe, por isso todos foram encaminhados a oftalmologistas. Não teve nenhum caso de afastamento do trabalho.
Na tentativa de encontrar o foco da doença, mais de 30 amostras retiradas do solo, água, alimentos e fezes e sangue felinos foram descartadas. "Estamos fazendo o rastreamento de alguns produtores para identificar se a fonte de infecção pode estar nesse local ou no Iapar. É um trabalho lento, que vai demandar tempo. Através da evidência epidemiológica, cruzamento de dados de pacientes, a gente pode fazer um vínculo e determinar qual a fonte de contaminação. A comprovação da evidência física não conseguiremos fazer, pois o surto já se esvaneceu e a fonte de contaminação já não está mais presente", explicou o diretor de Vigilância e Saúde da Secretaria Estadual de Saúde, José Carlos Moraes.


