São Paulo, 17 (AE) - Um surto de catapora atinge há cerca de duas semanas a cidade de São Paulo. Nos principais centros de atendimento de saúde infantil, houve um aumento expressivo de casos da doença. As razões para o crescimento do número de pacientes não são conhecidas. Mas médicos garantem que, nesta época do ano, o fenômeno sempre se repete.
"É uma doença que aumenta com a chegada da primavera", afirma o professor de infectologia da Universidade Federal de São Paulo, Calil Kairalla Faraht. No Hospital São Paulo, ligado à universidade, foi registrado nos últimos dias um surto da doença em uma das enfermarias. "Felizmente, o problema foi detectado a tempo e logo contornado", conta o professor.
A doença, que geralmente não apresenta problemas graves em pacientes saudáveis, pode agravar o estado de saúde de pessoas debilitadas.
Apesar de não haver estatísticas, Faraht afirma que o número de queixas da doença que chegaram ao hospital aumentou bastante. Esse fenômeno foi também detectado na Santa Casa de São Paulo e no Instituto da Criança.
Provocada por um vírus, a catapora é altamente infecciosa. "Quase 90% das pessoas que entram em contato com o agente acabam desenvolvendo a doença", afirma a médica do Instituto da Criança Lúcia Bricks.
Além de ser altamente infecciosa, o controle da transmissão da catapora é dificultado pelas características da doença.
Depois do contágio, o paciente demora em média 14 dias para apresentar os primeiros sintomas - febre e erupções na pele. "Dois dias antes de manifestar os primeiros sinais, o paciente já pode estar transmitindo o vírus para outras pessoas", explica a médica.
A catapora é considerada pelos especialistas como uma doença que geralmente traz poucos riscos ao paciente, mas é muito incômoda. Depois da febre e do mal-estar, o paciente apresenta em média 250 erupções na pele, em forma de vesículas, que geralmente coçam.
Mas, em alguns casos, o problema pode agravar-se. As erupções podem ser contaminadas por bactérias e formar abscessos. De acordo com Lúcia, esses problemas são mais frequentes em pacientes que usam antiinflamatórios. "É possível ainda que a catapora provoque quadros de pneumonia e encefalite", afirma a médica do serviço de pediatria da Santa Casa Marina de Arruda Sartori. "Pessoas com sistema imunológico comprometido também podem ter problemas sérios."
Por essas razões, médicos recomendam que crianças com mais de 1 ano sejam vacinadas. "A vacina é segura, eficaz, mas não é aplicada pela Secretaria da Saúde", aponta a médica. Os interessados têm de recorrer a clínicas particulares.
Uma vez detectada a doença, é preciso redobrar os cuidados de higiene: dar banhos e manter as unhas das crianças sempre curtas
além de fazê-las usar roupas de algodão. Para aliviar coceira, é indicado o uso de talco mentolado. "O principal é evitar remédios antiinflamatórios e ácido acetilsalicílico", diz Lúcia. É preciso também deixar o paciente isolado, para evitar a transmissão da doença.

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