São Paulo - Duas internações de estrangeiros vindos da Malásia e da Tailândia elevam para três os casos suspeitos no Brasil da Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS, em inglês). Um engenheiro malaio de 38 anos desembarcou anteontem em Belém e foi internado ontem às pressas no Hospital Barros Barreto, com crise respiratória. Os médicos isolaram toda a área em que o engenheiro está instalado. O engenheiro chegou da Malásia, onde já foram detectados vários casos da doença. Ele tinha febre alta, tosse progressiva e falta de ar. O infectologista Antonio Caiado declarou que ainda é prematuro dizer que o paciente está com a pneumonia asiática. O médico vai realizar exames e informar a situação do engenheiro à Fundação Nacional de Saúde (Funasa).
Em São Paulo, um homem japonês de 48 anos desembarcou ontem com febre alta, calafrios, tosse seca e fraqueza. Ele veio ao Brasil para acompanhar o GP de F-1 que acontece domingo. Segundo o infectologista Eduardo Medeiros, chefe do serviço de proteção e controle de infecção hospitalar do Hospital São Paulo, o paciente esteve nos dias 27 e 28 na Tailândia. No dia 29, chegou ao Japão, onde permaneceu até anteontem, quando embarcou para o Brasil.
Medeiros afirma que o paciente foi levado primeiro ao hospital Albert Einstein, onde está internada desde terça-feira uma jornalista britânica, de 42 anos, também com suspeitas da doença. Na tarde de ontem, diz Medeiros, o homem foi levado para o Hospital São Paulo, onde existe uma unidade de isolamento criada para receber os casos suspeitos de pneumonia asiática.
O homem, que chegou ao Brasil acompanhado da secretária e de outro empregado, está sendo medicado preventivamente com antibióticos. Ainda ontem, diz Medeiros, foi colhida uma cultura bacterológica para se saber o agente causador da pneumonia.
A Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo informou, à noite, que a internação foi ''por precaução''. Segundo a secretaria, o paciente não deve ser considerado um caso suspeito de pneumonia asiática por não ter passado por locais em que há transmissão da doença (áreas com casos contraídos no próprio local).
Um primeiro exame de sangue realizado para verificar a presença de bactérias no organismo da jornalista deu negativo, segundo boletim divulgado ontem pelo Albert Einstein. Caso o exame tivesse dado positivo, estaria encerrado o caso: seria prova de que a paciente sofre os sintomas de uma pneumonia comum.
''Não confirma a pneumonia bacteriana, mas também não afasta totalmente essa hipótese. E continua a suspeita de SARS'', disse Luiz Jacintho da Silva, superintendente da Sucen (Superintendência de Controle de Endemias) de São Paulo.
A Infraero, Fundação Nacional de Saúde (Funasa) e Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa) acertaram novas providências para melhorar a qualidade da informação nos portos e aeroportos.

mockup