O lote 351 do medicamento Androcur, falsificado, pode ter feito mais uma vítima: o aposentado Enéas Faria Souto, 84, que morreu de câncer na próstata em janeiro após tomar por seis meses cápsulas do lote. O filho do aposentado, o compositor e arquiteto Edmundo Souto, disse que, no início do tratamento com o Androcur, em setembro de 1996, seu pai reagiu bem e apresentou melhoras. Em junho de 1997, Souto passou a comprar o medicamento para o pai na Drogaria Pop de Copacabana (zona sul). ‘‘A partir daí, a saúde dele piorou. O médico tinha dito que ele nunca morreria de câncer na próstata e se surpreendeu com a piora disse.
Cerca de um mês depois da morte do pai, Souto assistiu a uma reportagem de TV relatando o caso do Androcur e imediatamente desconfiou. Examinou a última caixa que sobrara e conferiu o lote: era o 351. Como Souto costumava comprar até 20 caixas de uma vez, ele não tem dúvidas de que seu pai morreu por causa do remédio. A reportagem tentou ouvir o dono das três farmácias Pop, Rafael Gomes, mas não o encontrou.
Curitiba- O diretor da Distribuidora de Medicamentos Abifarma Ltda., de Curitiba, Antônio Barea, confirmou ontem que o medicamento Androcur entregue no ano passado ao Hospital das Clínicas, em Curitiba, e ao Hospital Universitário, em Londrina, foi comprado do laboratório Schering do Brasil e da Drogaria Casa Grande, de Porto Alegre (RS). Os dois hospitais encontraram remédios falsificados entre os adquiridos da Distribuidora Abifarma. Barea afirmou não ser possível verificar quem de seus fornecedores teria entregue o remédio falsificado.

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