Surge nova mancha na Lagoa Rodrigo de Freitas; ambientalistas temem novo acidente
Surge nova mancha na Lagoa Rodrigo de Freitas; ambientalistas temem novo acidente13/Mar, 21:54 Por Roberta Jansen Rio, 13 (AE) - Uma nova mancha surgiu hoje na Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio, levando ambientalistas a temer um novo acidente ecológico, parecido com o que dizimou mais de 130 toneladas de peixe durante o carnaval. "Mais peixes devem morrer", disse o oceanógrafo David Zee, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Ele explicou que a mancha foi provocada por uma frente fria que revolveu o lodo da parte mais rasa da lagoa, trazendo para a superfície algas que normalmente ficam na fundo. "O gás sulfídrico liberado por essas algas, que estão proliferando nas margens da lagoa, pode causar nova mortandade de peixes", explicou Zee. Ele não acredita que a mancha tenha sido causada por despejo de esgoto. O secretário municipal de Meio Ambiente do Rio, Maurício Lobo, discorda. Para ele, a proliferação excessiva de algas pode ter sido causada pelo alto índice de coliformes fecais detectado na lagoa na semana passada - 900 vezes a mais do que o limite permitido. "A maré vermelha é uma consequência do lançamento de esgoto", afirmou. Amanhã (14) a Secretaria fará coleta de amostras da água da lagoa para verificar a presença de algas tóxicas. Frente fria - Para o diretor de Esgotos da Companhia Estadual de águas e Esgotos (Cedae), Evandro Brito, a mancha não tem relação com a presença de material orgânico na lagoa. "Não há dúvida de que a coloração diferente foi causada pela frente fria sudoeste e a concentração de algas", disse. "O prioritário agora é evitar que continuem morrendo peixes." O diretor negou que a poluição na lagoa e nas praias da zona sul seja resultado do vazamento de esgoto nas galerias de água pluvial, conforme havia dito o presidente da Fundação Estadual de Engenharia de Meio Ambiente, Axel Grael. Inquérito - Em ofício enviado na quinta-feira ao delegado Ricardo Bechara, do Núcleo de Proteção ao Meio Ambiente da Polícia Federal, o Ministério Público Federal (MPF) pediu que seja investigada a responsabilidade da Cedae, das Secretarias Municipal e Estadual de Meio Ambiente e da Fundação Rio águas na mortandade de peixes. O MPF pede ainda que sejam ouvidos funcionários das empresas, pescadores e biólogos. O promotor Sávio Bittencourt, da equipe de Proteção ao Meio Ambiente do Ministério Público Estadual, oficiou a central de inquérito para a apuração do suposto crime ambiental.





