Surge nova ameaça para os sacoleiros
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domingo, 02 de fevereiro de 1997
Antônio França, da Sucursal de Foz do Iguaçu 
Elza AndréaContestaçãoRaimundo dos Santos, presidente da Associação Nacional dos Sacoleiros, diz que acordo vai trazer dificuldadesComerciantes de Ciudad del Este na fronteira entre Brasil e Paraguai temem que o acordo fechado entre sacoleiros e os governo do Distrito Federal e Goiás derrube as vendas, provocando uma fuga em massa de sacoleiros que atravessam a Ponte da Amizade para comprar mercadorias importadas e revender pelo interior do País. Os sacoleiros estão montando uma cooperativa para acabar com a Feira do Paraguai, em Brasília, considerado um monstro do contrabando pelos empresários nacionais que movimenta cerca US$ 1 milhão por mês.
Os sacoleiros do Distrito Federal e Goiás vão acabar com a Feira do Paraguai, que vende produtos abastecidos por Ciudad del Este. Eles fecharam acordo com os governadores e começam a montar uma cooperativa, que vai construir um shopping em Guará, cidade satélite de Brasília, para onde serão transfeirdas as 1.500 barracas. Com isso, eles serão beneficiados com incentivos fiscais e vão fugir da ilegalidade.
Entre os benefícios, eles conseguiram uma brecha e vão contar com a isenção de alguns impostos já que as cooperativas ficam livres de vários tributos. Entre os sacoleiros, serão criadas várias microempresas. Com isso, eles querem se beneficiar do Simples, o imposto único criado pelo presidente Fernando Henrique Cardoso.
Os sacoleiros não vão fazer a importação propriamente dita, pois ao fazer essa operação não terão direito ao Simples. Eles preferiram comprar mercadorias já importadas por empresas brasileiras. É a primeira vez que sacoleiros, Receita Federal e governadores de estados participam de uma negociação envolvendo a economia informal, comemora o presidente da Feira do Paraguai em Brasília, Júlio Cesar Moraes.
Os governadores se comprometeram a negociar os impostos estaduais com os sacoleiros. Porém, pediram a retirada das barracas da feira em dois meses e a garantia da construção do Shopping de Importados de Guará em dois anos. Os lojistas de Ciudad del Este temem que o acordo fechado entre compristas de Goiás e o Distrito Federal seja utilizado como exemplo para outros estados brasileiros, provocando fuga em massa do comércio paraguaio.
O monstro de Brasília, composto por 1.500 barracas, é responsável pelo sustento de cerca de 7 mil famílias, gerando US$ 1 milhão todos os meses, chegando a triplicar o faturamento com as festas de final do ano.
Contra Em Foz do Iguaçu, o presidente da Associação Nacional dos Sacoleiros, Raimundo dos Santos, discorda da posição tomada pelos feirantes do DF e Goiás. Santos coordenou o manifesto em Brasília que reuniu cerca de 20 mil sacoleiros em outubro do ano passado para protestar contra a pressão exercida pelo Governo na fronteira entre o Brasil e Paraguai.
Santos diz que essa iniciativa não vai dar certo e que beneficia apenas o governo. A Receita Federal percebeu que pode encher seus cofres e acabar com feira de Brasília ao mesmo tempo, diz. Ele lembra que 80% das microempresas abertas no Brasil, segundo o Sebrae, acabam fechando as portas. Esse pessoal não vai ter como tocar as suas lojas no shopping e voltará para a rua em barracas ainda piores que as da feira, prevê.
Apreensão Ciudade del Este chegou a movimentar US$ 12 bilhões por ano, mas com a queda no movimento, esse número caiu em quase 50%, segundo a Câmara de Comércio local. As apreensões no ano passado somaram 27,9 milhões de reais.


