Elza AndréaContestaçãoRaimundo dos Santos, presidente da Associação Nacional dos Sacoleiros, diz que acordo vai trazer dificuldadesComerciantes de Ciudad del Este na fronteira entre Brasil e Paraguai temem que o acordo fechado entre sacoleiros e os governo do Distrito Federal e Goiás derrube as vendas, provocando uma fuga em massa de sacoleiros que atravessam a Ponte da Amizade para comprar mercadorias importadas e revender pelo interior do País. Os sacoleiros estão montando uma cooperativa para acabar com a Feira do Paraguai, em Brasília, considerado um ‘‘monstro do contrabando’’ pelos empresários nacionais que movimenta cerca US$ 1 milhão por mês.
Os sacoleiros do Distrito Federal e Goiás vão acabar com a Feira do Paraguai, que vende produtos abastecidos por Ciudad del Este. Eles fecharam acordo com os governadores e começam a montar uma cooperativa, que vai construir um shopping em Guará, cidade satélite de Brasília, para onde serão transfeirdas as 1.500 barracas. Com isso, eles serão beneficiados com incentivos fiscais e vão fugir da ilegalidade.
Entre os benefícios, eles conseguiram uma brecha e vão contar com a isenção de alguns impostos já que as cooperativas ficam livres de vários tributos. Entre os sacoleiros, serão criadas várias microempresas. Com isso, eles querem se beneficiar do Simples, o imposto único criado pelo presidente Fernando Henrique Cardoso.
Os sacoleiros não vão fazer a importação propriamente dita, pois ao fazer essa operação não terão direito ao Simples. Eles preferiram comprar mercadorias já importadas por empresas brasileiras. ‘‘É a primeira vez que sacoleiros, Receita Federal e governadores de estados participam de uma negociação envolvendo a economia informal’’, comemora o presidente da Feira do Paraguai em Brasília, Júlio Cesar Moraes.
Os governadores se comprometeram a negociar os impostos estaduais com os sacoleiros. Porém, pediram a retirada das barracas da feira em dois meses e a garantia da construção do Shopping de Importados de Guará em dois anos. Os lojistas de Ciudad del Este temem que o acordo fechado entre compristas de Goiás e o Distrito Federal seja utilizado como exemplo para outros estados brasileiros, provocando fuga em massa do comércio paraguaio.
O ‘‘monstro’’ de Brasília, composto por 1.500 barracas, é responsável pelo sustento de cerca de 7 mil famílias, gerando US$ 1 milhão todos os meses, chegando a triplicar o faturamento com as festas de final do ano.
Contra Em Foz do Iguaçu, o presidente da Associação Nacional dos Sacoleiros, Raimundo dos Santos, discorda da posição tomada pelos feirantes do DF e Goiás. Santos coordenou o manifesto em Brasília que reuniu cerca de 20 mil sacoleiros em outubro do ano passado para protestar contra a pressão exercida pelo Governo na fronteira entre o Brasil e Paraguai.
Santos diz que essa iniciativa não vai dar certo e que beneficia apenas o governo. ‘‘A Receita Federal percebeu que pode encher seus cofres e acabar com feira de Brasília ao mesmo tempo’’, diz. Ele lembra que 80% das microempresas abertas no Brasil, segundo o Sebrae, acabam fechando as portas. ‘‘Esse pessoal não vai ter como tocar as suas lojas no shopping e voltará para a rua em barracas ainda piores que as da feira’’, prevê.
Apreensão Ciudade del Este chegou a movimentar US$ 12 bilhões por ano, mas com a queda no movimento, esse número caiu em quase 50%, segundo a Câmara de Comércio local. As apreensões no ano passado somaram 27,9 milhões de reais.

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