Surdez da Justiça assusta relatora da ONU
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quinta-feira, 02 de outubro de 2003
Agência Folha 
São Paulo- A relatora especial para Execuções Extrajudiciais, Sumárias ou Arbitrárias da ONU (Organização das Nações Unidas), a paquistanesa Asma Jahangir, disse ontem, em Vitória (ES), que o que mais a havia assustado no Brasil era a ''surdez e morosidade da Justiça''.
Jahangir terminou sua visita pelo Espírito Santo. ''Não é segredo. A impunidade é arraigada no Estado, mas ela não pode se tornar um convite para o crime'', disse a relatora da ONU.
Depois de se reunir com os secretários da Segurança Pública e da Justiça do Espírito Santo, Jahangir elogiou a organização da sociedade civil contra o crime organizado. ''O meu trabalho é coletar informações. No Espírito Santo, foi surpreendente a organização da sociedade civil. As entidades já estão resolvendo o problema da violência'', afirmou Jahangir.
Anteontem, a relatora recebeu do fórum ''Reage Espírito Santo'' -que congrega a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), organizações não-governamentais e grupos da sociedade civil- um relatório sobre crimes suspeitos de serem execuções sumárias.
O relatório entregue a Jahangir foca atenção na Scuderie Le Cocq -organização acusada de agir como esquadrão da morte com a participação de policiais civis.
Jahangir está no país desde o dia 16 de setembro colhendo informações sobre execuções sumárias em sete Estados. Com as informações, será feito um relatório com recomendações para a política de combate ao crime organizado a ser implantado pelo governo.


