Brasília, 21 (AE) - A subprocuradora-geral da República, Yedda de Lourdes Pereira, vai encaminhar ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) pedido de abertura de um novo inquérito para investigar suposto enriquecimento ilícito dos desembargadores federais Paulo Theotonio Costa e Roberto Luiz Ribeiro Haddad, os dois do Tribunal Regional Federal (TRF) da 3.ª região, em São Paulo. O pedido de abertura de inquérito partiu do Procurador-Geral da República, Geraldo Brindeiro.
Os dois desembargadores, segundo informações divulgadas pela imprensa, ostentariam bens cujo valor seria incompatível com os vencimentos de um magistrado. Se o inquérito for instalado, decisão que depende do STJ, a Procuradoria da República pretende pedir à Secretaria da Receita Federal uma avaliação patrimonial dos bens de Costa e Haddad. A intenção é saber qual seria a origem desses bens.
Costa seria sócio de um grande empreendimento imobiliário em Campo Grande - um conjunto residencial de sete prédios. Segundo informações da imprensa, ele seria sócio da construtora Kroonna e haveria um projeto para a construção de mais 21 edifícios. Ele possuíria ainda outros negócios e bens.
Haddad e a mulher dele possuiriam 33 carros cadastrados nos nomes deles no Departamento Estadual de Trânsito (Detran) de São Paulo. Ele a mulher dele seriam sócios também de uma empresa criada com o objetivo de construir e explorar marinas para embarcações de passeio, além de serem proprietários de outros bens.
Costa disse hoje que a declaração de bens está à disposição para qualquer análise. Segundo ele, todos os negócios e posses constam da declaração do Imposto de Renda (IR). Ele disse ainda que contratou uma auditoria independente para averiguar a evolução do patrimônio dele e a conclusão foi de que ela é compatível com os rendimentos. Costa classificou a decisão da Procuradoria como "oportunista". Haddad foi procurado no Tribunal Regional Federal (TRF), mas o órgão está em recesso.
Brindeiro havia requisitado anteriormente à Receita investigação sobre a origem patrimonial dos bens dos dois desembargadores. Essa análise, porém, foi impedida por uma medida cautelar concedida, a pedido dos desembargadores, pela juíza federal Naíde Azevedo de Almeida. A subprocuradora-geral da República atua em dois outros inquéritos contra os mesmos desembargadores.

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