Harare, 13 (AE-AP) - O governo do Zimbábue recuou de entrar em confronto com o poder judiciário nesta quinta-feira (13), pedindo a milhares de invasores negros armados para que abandonassem as fazendas de brancos ocupadas.
O apelo buscava amenizar uma cada vez mais profunda crise constitucional entre o judiciário e o governo, que desafiou uma ordem da corte para evitar que os invasores tomassem mais de 900 fazendas.
O governo do presidente Robert Mugabe argumentou que a ação da polícia contra os mais de 50.000 invasores armados poderia desencadear uma guerra civil.
A Suprema Corte rejeitou hoje um apelo da polícia para que fosse derrubada uma ordem de despejo de milhares de ex-combatentes da luta pela liberação do Zimbábue, que invadiram mais de 900 fazendas de brancos desde fevereiro, após a derrota do referendo convocado por Mugabe sobre mudanças constitucionais que dariam poderes quase absolutos ao presidente, já há 20 anos no poder, e permitiriam a desapropriação de terras sem indenização.
A polícia argumenta que não tem homens suficientes e é impossível cumprir a ordem sem o risco de desencadear uma guerra civil. Mas o tribunal indicou que a ocupação é ilegal e todas as pessoas envolvidas deverão ser desalojadas pela polícia imediatamente.
Para vários analistas, a ordem do Tribunal Supremo significa um "ultimato" para o país, que, se ignorado por Mugabe, poderia levar a uma situação de anarquia total. Segundo eles, as ocupações são parte de uma campanha do presidente para sustentar seu partido União Nacional Africana do Zimbábue nas eleições parlamentares que devem ser realizadas no próximo mês.
"Não há razão para os veteranos e o povo prosseguirem se manifestando ou ocupando as fazendas de um modo aleatório. Aprovamos o projeto de lei sobre as terras, o que nos permitirá recolonizar as pessoas de maneira ordenada", disse o vice-presidente Joseph Msika, referindo-se à emenda constitucional aprovada no dia 3 pelo Parlamento do Zimbábue autorizando as desapropriações e determinando que a Grã-Bretanha é responsável pelas indenizações.

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