Jerusalém, 06 (AE-AP) - Numa decisão histórica, a Suprema Corte de Israel proibiu hoje (06) os serviços de segurança de usar métodos de interrogatório descritos como tortura por grupos de defesa dos direitos humanos. A corte concluiu que é ilegal o Shin Bet usar a chamada "pressão física moderada" para obter informações de detidos suspeitos de ter dados sobre planos de atentados antiisraelenses.
"A corte declara que o Shin Bet não tem autoridade para sacudir uma pessoa, para forçá-la a uma posição (contorcida), para forçá-la a ajoelhar-se como rã nem para privá-la de dormir", assinalaram os nove juízes depois de 18 meses de debates.
Grupos de direitos humanos - que estimam em 850 por ano o total de prisioneiros submetidos a tais métodos - comemoraram a decisão e pediramn que o governo faça o Shin Bet cumpri-la. "Finalmente a Suprema Corte determinou que o inaceitável é inaceitável e baniu métodos condenados pelo mundo como tortua", afirmou Elizabeth Hodgkin, da sede londrina da Anistia Internacional.
Entretanto, alguns funcionários do governo israelense disseram que a decisão tornará mais difícil o combate ao extremismo. "Diferentemente da Escandinávia ou da Europa Ocidental, estamos numa batalha diária contra o terrorismo, e nossos serviços de inteligência precisam ter meios de obter informações - e, às vezes, por meio de interrogatórios", alegou o vice-ministro da Defesa Ephraim Sneh.
Apesar de sua decisão, a corte deu ao Parlamento a opção de legislar sobre se Israel, "por causa de seus problemas de segurança, deve permitir o uso de medidas físicas em investigações".

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