Debaixo de chuva, 20 moradores do Jardim Nossa Senhora da Paz (Zona Oeste de Londrina) foram até a frente do 5º Batalhão da Polícia Militar ontem para reclamar de incursões, segundo eles violentas, do Pelotão de Choque na comunidade. Duas pessoas foram ouvidas e o comando da corporação abriu um procedimento investigativo para apurar as denúncias que envolvem racismo, uso de artefatos explosivos e agressões contra mulheres e crianças.
Um dos moradores que representou contra os policiais contou que na última sexta-feira sete viaturas do Choque teriam ''fechado'' os acessos da comunidade das 21 horas até por volta das 4 horas: ''Ninguém podia entrar ou sair. Eles soltaram bombas a madrugada toda no quintal das casas. Uma mulher com um bebê de nove meses nos braços foi ameaçada com uma arma e teve que voltar para dentro de casa'', criticou. Nem os fiéis de uma igreja evangélica teriam conseguido retornar para suas casas.
O bairro é tido como um dos principais pontos de distribuição e venda de drogas de Londrina e uma moradora afirmou que ninguém é contra a ação da PM, mas comparou que o desrespeito dos policiais também seria ''criminoso''. ''A gente não tem mais respeito, tem medo. Isso está criando uma relação de ódio'', alertou. ''Antes que matem algum inocente, queremos justiça e, por isso, viemos até o batalhão'', pediu outra moradora. Ela denunciou que até mulheres e crianças teriam sido revistadas. Há cerca de 20 dias, continuou, duas delas teriam sido feridas por balas de borrachas.
Representando o comando do Batalhão, o tenente Gustavo Hauenstein informou que as reclamações foram registradas e que será possível identificar quais viaturas estiveram no bairro e ouvir os policiais. O tenente afirmou que um carro roubado foi recuperado na região no dia mas disse desconhecer se teria havido alguma operação especial no bairro por conta disso. O oficial explicou que, embora seja uma força repressiva e preparada para situações de alto risco, o Pelotão de Choque também precisa seguir o regulamento. Se os excessos forem confirmados, os policiais envolvidos poderão ser advertidos verbalmente, punidos administrativamente ou mesmo serem expulsos.

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