Rio, 21 (AE) - O relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Bancos, senador João Alberto Souza (PMDB-MA)
disse que, nas reuniões com os procuradores da República responsáveis pelas ações de busca e apreensão realizadas no Rio, os integrantes da CPI souberam que haveria documentos encontrados na casa do ex-presidente do Banco Central, Francisco Lopes, apontando a existência de uma espécie de rede de informações privilegiadas, composta por outros bancos, além do Marka e do FonteCindam. "Seria um esquema envolvendo outros bancos, citados em cartas", contou o relator.
Mas a CPI, segundo ele, não vai investigar apenas os bancos que acabaram perdendo com a desinformação da suposta fonte do BC. Os senadores pediram ao Banco Central dados sobre as posições em dezembro, janeiro e favereiro dos bancos que ganharam em mais de 50% com a desvalorização do real. "Queremos saber como essas instituições estavam jogando no mercado", explicou João Alberto. Ele e o senador Saturnino Braga (PSB-RJ), que vieram ao Rio para examinar os documentos apreendidos pelo Ministério Público Federal, admitiram que ainda não há provas de que houve vazamento de informações. "Há indícios, mas temos de investigar", ponderou Saturnino. "O problema é que a coisa estourou antes mesmo de o jogo começar". Para ele, a CPI só ia iniciar os trabalhos para valer a partir do depoimento de Francisco Lopes.
A revelação do depósito no exterior, feito por Lopes em nome de seu ex-sócio, acabou detonando os acontecimentos na comissão. "Pode ter havido um crime fiscal, de sonegação, além de ser um comportamento pouco ético", apontou Saturnino. Ele considerou suspeito, também, o patrocínio dado pelo Banco Marka ao piloto de motonáutica Guido Verme, no valor de R$ 3,4 milhões.

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