Curitiba, 25 (AE) - A suposta aparição de Nossa Senhora para Patrícia Andrade, de 15 anos, em Londrina, no norte do Paraná, com manifestações no sol, para o qual as pessoas olham diretamente, provocou pelo menos 30 casos de maculopatia fototóxica ou retinopatia solar, uma inflamação na região central da retina. Os casos foram diagnosticados pela Associação Médica de Londrina (AML) no prazo de aproximadamente um mês.
Segundo o diretor do Departamento de Oftalmologia da AML
Rui Barroso Schimiti, a maculopatia fototóxica é doença rara no mundo. Há menos de um mês, ele esteve em um congresso internacional de oftalmologia, na Flórida (EUA), quando foi narrada como algo fora do comum a ocorrência de 20 casos em Lyon
na França, em 1986, durante um eclipse solar.
Schimiti disse que a doença provoca entre 10% e 40% de perda temporária de visão. "A recuperação pode durar até um ano", afirmou. O tratamento é à base de corticóide, mas a maioria das pessoas melhoram.
O diretor da AML acredita que os casos não devam aumentar, depois do alerta feito à população londrinense para que não olhe diretamente para o sol. "Não queremos interferir na manifestação religiosa, mas alertar para os riscos à saúde", disse.
A adolescente acredita que os problemas de visão ocorreram no último dia 1º, quando o número de pessoas foi muito grande e nem todos teriam entendido a recomendação dada por seus familiares de que só olhassem para o sol no momento em que a orientação fosse transmitida. Segundo ela, a Virgem Maria aparece há cerca de três anos, durante quatro vezes por mês, no quintal de sua casa, no Jardim Santa Madalena.
Patrícia disse que, quando Nossa Senhora manda que se olhe para o sol, ela o cobre com um manto azul, tirando sua claridade. Nesse momento, as pessoas poderiam olhar que não prejudicaria os olhos. Elas apenas veriam o sol com várias cores e girando. Nas aparições, Nossa Senhora pede conversão, oração pelos jovens, frequência às missas, confissão e meditação sobre a Bíblia. Segundo a mãe da menina, Neusa, algumas pessoas que tiveram problemas de visão telefonaram para dizer que estão curadas.
O arcebispo de Londrina, dom Albano Cavallin, emitiu um comunicado em que afirma que a igreja vem acompanhando os acontecimentos, "com um diálogo permanente com as pessoas ligadas ao assunto, e procurando evitar tudo que possa levar ao sensacionalismo, com prejuízo para a fé". Dois padres foram nomeados para acompanhar o caso.
A arquidiocese também está pedindo documentos ao Vaticano para orientar "na descoberta de princípios e critérios para julgar esta e outras aparições no mundo e averiguar o grau de sua veracidade ou não".
O arcebispo recomenda que as pessoas não olhem para o sol, "sobretudo depois de termos o relatório de vários médicos atestando os males que esta atitude está causando nos olhos de pessoas com mais sensibilidade".
Após manifestar que a verdadeira devoção a Nossa Senhora é "imitá-la e, através dela, ir até Jesus", o arcebispo pede que os fiéis "olhem sobretudo para a Bíblia que tão bem nos revela a fisionomia espiritual de Nossa Senhora que se apresenta como serva do Senhor".

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