Rio, 02 (AE) - O senador Eduardo Suplicy (PT-SP) afirmou hoje que a prefeita de Mundo Novo (MS), a petista Dorcelina Folador, assassinada no sábado, recebeu a oferta de embolsar R$ 1 milhão para autorizar o pagamento de uma dívida de R$ 4,3 milhões contraída pela gestão anterior. Segundo Suplicy, Dorcelina, quando assumiu a prefeitura, não reconheceu a dívida junto ao Banco Santos por não ter encontrado registros de como a verba teria sido usada pelo ex-prefeito José Carlos da Silva.
Suplicy contou que a oferta foi feita pelo prefeito de um dos outros 25 municípios que também realizaram operações de Antecipação de Receitas Orçamentárias (ARO). Haveria uma operação conjunta para saldar as dívidas. "A polícia já tem este nome, é alguém que contraiu uma dívida no mesmo banco", disse o senador. Ele, no entanto, preferiu não divulgar o nome sem a autorização do marido de Dorcelina, o presidente local do PT, Cezar Folador.
Amanhã, às 11 horas, Suplicy tem um encontro com o ministro da Justiça, José Carlos Dias, em Brasília, para conversar sobre possíveis avanços na investigação do crime. "Combinamos de ligar para o governador Zeca do PT e conversar a três", informou o senador. "Pedi ao ministro todo o empenho para apurar a razão da morte da prefeita", completou. Segundo o senador, Dorcelina sofria pressões de grandes proprietários de terra e havia denunciado o narcotráfico, o comércio de órgãos e o tráfico de bebês na região.
Hoje, durante palestra em um encontro nacional de estudantes de Engenharia de Produção, no Hotel Glória, Suplicy elogiou a gestão de Dorcelina. "No dia da morte dela havia R$ 1 1 milhão em caixa porque ela tinha posto as finanças do município em dia", disse. "Dorcelina tinha uma vontade extraordinária de lutar por uma sociedade mais justa".

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