Suplente de Pascoal tem patrimônio suspeito
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terça-feira, 21 de setembro de 1999
Por Edmilson Ferreira (especial para a AE) 
Rio Branco, 22 (AE) - O vereador José Aleksandro da Silva, primeiro suplente do ex-deputado Hildebrando Pascoal (sem aprtido-AC) e primeiro secretário da Câmara de Rio Branco, tem 33 anos, dois mandatos parlamentares e um patrimônio que o Ministério Público (MP) do Acre ainda não conseguiu avaliar, desde que começou a investigá-lo por supeita de desvio de dinheiro público. Casado com a assistente social Kelly Cristina, "Zé Alex" - como é conhecido - mora num sobrado no Bosque, um dos melhores bairros da capital acreana.
Candidato a deputado federal pelo PFL nas últimas eleições, não conseguiu se eleger, mas ficou como suplente de Pascoal. Os promotores que o investigam na Coordenadoria do Patrimônio Público do MP consideram que o vereador enriqueceu muito rápido. De menino pobre no interior do Ceará, ele passou, em pouco tempo, a empresário e fazendeiro no Acre.
Aos amigos, ele afirma que assumirá no dia 29 a vaga que foi deixada por Pascoal na Câmara dos Deputados, mesmo com tantas acusações. "Nada o impede de ser empossado", diz o promotor Cosmo de Lima, autor das denúncias contra "Alex". O promotor esteve em Brasília e entregou à Mesa Diretora da Câmara um dossiê sobre supostas irregularidades praticadas pelo vereador.
Desde o começo de maio, quando o juiz Clóvis Cabral ordenou a prisão preventiva de "Alex", Cosmo reforçou a segurança e diz-se ameaçado de morte. Graças a um alvará de soltura expedido pelo desembargador Ciro Facundo, "Alex" ficou menos de meia hora na cadeia.
O vereador é suspeito de ter empregado a maioria dos irmãos na Câmara de Rio Branco. Dois deles, Alexandre Alves da Silva e Sandroneto Alves da Silva, estão condenados por homicídio. Alexandre está em liberdade condicional, mas a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Narcotráfico pediu que seja detido. O outro está preso.
Estas são as denúncias feitas pelo MP contra o vereador na 2ª Vara Criminal de Rio Branco: Peculato - por desvio de R$ 1 milhão dos cofres públicos. Falsificação de documento público - por falsificar a publicação de vários atos oficiais da Câmara de Rio Branco. Falsificação de documento particular - ele é acusado de falsificar notas fiscais e forjar processo de pagamento de despesas inexistentes, desviando verba para sua conta bancária. Extravio, sonegação ou inutilização de documentos oficiais - por ter destruído processos de pagamento realizados com base em notas fiscais falsificadas. Ação civil por improbidade administrativa - enriquecimento ilícito. Destacam-se gastos de mais de R$ 3 milhões com despesas de publicidade sem licitação; fraude em licitação para aquisição de serviços gráficos.


