Suplente de Hildebrando é indiciado em sete crimes
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terça-feira, 10 de agosto de 1999
Por Hugo Marques (especial para a AE) 
Brasília, 11 (AE) - O primeiro suplente do deputado Hildebrando Pascoal (PFL-AC), o vereador José Aleksandro da Silva (PFL), é indiciado em sete crimes, incluindo falsidade ideológica, formação de quadrilha e estelionato. Algumas autoridades públicas do Acre dizem abertamente que têm dificuldades em colocar Aleksandro na cadeia.
"Esse Aleksandro é um larápio da pior qualidade", resumiu o promotor de Justiça da Coordenadoria de Defesa do Patrimônio Público do Acre, Cosmo Lima de Souza. O único motivo para Aleksandro ficar fora da cadeia, disse Cosmo, é a proteção que o vereador vem recebendo do Tribunal de Justiça do Acre. "Para provar que Aleksandro cometeu crime de peculato seria necessário quebrar seu sigilo, disse Cosmo, "mas o Tribunal de Justiça acatou recurso dizendo que um juiz não poderia quebrar sigilo de vereador".
Aleksandro é indiciado por extravio de documento público, peculato, falsidade ideológica, falsidade material, estelionato e em três processos por formação de quadrilha. Dois destes crimes aconteceram em Fortaleza (CE) e os outros cinco no Acre. Segundo o promotor Cosmo, Aleksandro montou uma máfia dentro da Câmara de Vereadores, onde ocupa o cargo de primeiro-secretário da Mesa Diretora. "Ele é primeiro secretário mas manda na presidência, que é composta de analfabetos", disse Cosmo. O promotor disse que Aleksandro contratou como secretário administrativo da Câmara o empresário Arivaldo Barbosa Moreira, dono da gráfica onde a própria Câmara imprime documentos oficiais.
A impressão destes documentos, segundo o promotor, é superfaturada e feita sem licitação. Outro problema, segundo o promotor, é que Arivaldo, além de dono da gráfica, fez parte de comissões de licitação da Câmara, justamente em concorrências vencidas pela sua própria gráfica. Além de Arivaldo, segundo o promotor, o empresário Evaldo Pereira Ribeiro é "laranja" de Aleksandro, por comandar os negócios que seriam do próprio vereador.
"Essa turma do Aleksandro desviou uns R$ 6 milhões de dinheiro público somente nos últimos dois anos", disse o promotor Cosmo. Segundo ele, a máfia falsificou notas fiscais e ainda declarou o dobro do valor oficial, para ficar com a diferença. O promotor afirmou que as provas são tão evidentes que em maio foi pedida a prisão preventiva de Aleksandro. O Tribunal de Justiça negou.
Cosmo acredita que não vai ser fácil encontrar um nome limpo para substituir Pascoal. O promotor disse que o segundo suplente, Clóvis Queiroz, é também envolvido em corrupção na Eletroacre. Clóvis é conhecido no Acre por ser o testa-de-ferro do ex-governador do Acre, Orleir Cameli, em operações ilegais. Aleksandro evita a imprensa, mas vem dizendo a amigos no Acre que é "perseguido" pela Justiça, o mesmo argumento de seu padrinho político, Hildebrando Pascoal.


