A história é de pescador, mas é verdadeira. No último final de semana, o dentista – e também pescador – Walter Fugii, 46 anos, pegou um tambaqui (peixe natural da Amazônia) de 30 quilos, peso pelo menos seis vezes maior que os exemplares da espécie comercializados na região. A proeza foi conseguida em uma chácara no município de Sertanópolis (40 km ao norte de Londrina), à beira do Rio Tibagi, na Represa Capivara. Para provar o seu feito aos incrédulos, Fugii pretende empalhar o peixe.
  O dentista conta que já tinha sido avisado por um amigo que a represa estava dando peixes grandes, por isso resolveu se munir de linha mais grossa e anzóis maiores. A determinada altura, sentiu uma fisgada incomum. Começava então verdadeira luta para tirar o exemplar do rio, e depois de uma hora a surpresa: ali, em pleno Tibagi, Fugii acabava de capturar um enorme tambaqui, que nos tanques de piscicultura são retirados da água com peso três e quatro quilos.
  ‘‘O peixe era tão grande que tivemos que pegar o barco e entrar no rio. Ele ficou enroscado próximo à vegetação e só conseguimos retirá-lo da água no braço’’, conta o dentista, que diz ser pescador ‘‘desde que nasceu’’. Acostumado a pescas em águas distantes, como as do Mato Grosso e Amazonas, ele conta, orgulhoso, que a sua maior conquista, até então, havia pesado 18 quilos. ‘‘A gente até imagina que pode pescar um peixe grande, mas só pensa nos peixes de couro, como o pintado. Mas pegar um de escama, no anzol, em uma represa, é uma surpresa.’’
  O exemplar capturado tem meio metro de largura por 1,20 metro de comprimento. Em suas vísceras, foi encontrada grande quantidade de milho e gordura. Por enquanto, o grande tambaqui permanece congelado, mas logo deve ser exibido na agência de turismo de um amigo e companheiro de pesca de Fugii, o agente de viagens Ricardo Okada. ‘‘Estou vendo onde consigo empalhá-lo’’, diz o agente.
  O mistério do enorme peixe, de uma espécie exótica nos rios paranaenses, começou há aproximadamente cinco anos, durante uma enchente. Quem esclarece é o agente fiscal do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), Valter Pirola. ‘‘Nesta ocasião que choveu muito, uma represa existente no Rio Couro do Boi explodiu, e peixes dos criatórios, como tambaqui e carpas, foram levados pela enchente para o Tibagi. Este exemplar deve ser um dos remanescentes.’’

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