A superstição parece ser fatal ao coração de chineses e japoneses, povos a quem o número 4 levanta os mesmos receios que o 13 aos ocidentais, conclui um estudo publicado no último sábado. Milhões de asiáticos temem o número 4 ''porque em mandarim, cantonês e japonês a pronúncia das palavras ''morte'' e ''quatro'' é quase idêntica'', explicam investigadores norte-americanos na edição do British Medical Journal (BMJ).

A superstição chega a fazer desistir de viajar no quarto dia do mês, rejeitar uma matrícula automóvel com o número quatro ou a evitar morar no quarto andar de um edifício.

Um estudo conduzido pela equipe do professor David Phillips, sociólogo da Universidade da Califórnia (São Diego, Estados Unidos), revela que eles têm sem dúvida razão para ter medo: registam-se efectivamente mais mortes cardíacas entre os asiáticos nesse dia maldito.

No entanto, a causa destas mortes é provavelmente o excesso de stress gerado pela superstição num coração já debilitado, alertam os sociólogos.

Para o estudo, os investigadores procederam a uma análise estatística em computador dos certificados de óbito, emitidos entre janeiro de 1973 e dezembro de 1998, de 209.908 chineses e japoneses e de 47.328.762 norte-americanos brancos.

No quarto dia de cada mês, a mortalidade cardíaca é significativamente mais elevada, cerca de 7% mais importante que no resto da semana.

O efeito é evidente entre os norte-americanos de origem chinesa e japonesa previamente afetados por uma doença crónica do coração. Ao contrário, os investigadores não encontraram um tal ''pico de mortalidade'' entre os brancos norte-americanos, mesmo no dia 13.

A explicação deste efeito de stress mortal, denominado ''efeito de Baskerville'' pelos autores, é explicado num livro de Arthur Conan Doyle, o ''pai'' de Sherlock Holmes, ''O Cão dos Baskerville''.

Conan Doyle descreveu-o como um stress psicológico extremo, o terror suscitado pela lenda de um terrível cão dos Baskerville, que provoca uma crise cardíaca fatal num homem de coração frágil, Charles Baskerville. ''O efeito de Baskerville existe às vezes nos fatos e na ficção, e sugere que Conan Doyle não era apenas um grande escritor, mas também um médico dotado de um intuição assinalável'', reconhecem os autores.

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