Rio, 18 (AE) - Doze celas para 153 presas, o dobro da capacidade máxima; três soropositivas em estado agudo da doença, uma delas com tuberculose; 15 detentas grávidas, uma das quais em trabalho de parto e outra com forte hemorragia, e 19 presas já condenadas, que deveriam ter sido transferidas. Este é o quadro da carceragem feminina da 20ª Delegacia Policial, no bairro do Grajaú, na zona norte do Rio, verificado hoje pelos membros do Mutirão da Cidadania - programa da Defensoria Pública Estado e do Conselho de Segurança Pública.
O objetivo da visita à carceragem - onde há apenas uma policial e nenhum carro para transportar as presas em caso de urgência - foi levantar a situação das detentas, sobretudo a jurídica. Os dados ajudam esvaziar as carceragens, pegando como exemplo casos de presas condenadas que já deveriam ser transferidas para presídios.
"Tentativas de fuga e violência nas carceragens são frutos da superlotação", analisou o coordenador do mutirão, o defensor público Américo Grilo. "Nosso objetivo é dar prosseguimento aos processos dessas detentas e ajudá-las a encontrar a cidadania." Até o ínicio do ano, a 20ª DP era carceragem masculina, conhecida por rebeliões violentas, como a de 18 de dezembro, em que um carcereiro foi morto e o repórter Marcelo Vieira, da TV Record, ficou em poder dos detentos por quatro horas. "Fazemos vistorias diárias nas celas para evitar tentativas de fuga, mas ainda precisamos de muita coisa, como um carro para transportar as presas", afirmou o chefe do Setor de Investigação, Sérgio Martins.
Quinze estagiários da Defensoria Pública tomaram depoimentos das presas. Ouviram histórias como a de Cícera Teixeira da Silva
de 34 anos, grávida de gêmeos, aos cinco meses de gestação. Ela foi presa por uso de cocaína, no início da gravidez, e deixou oito filhos espalhados em casas de parentes. "Não sou viciada"
garante. Cícera divide a cela com outras cinco grávidas e duas idosas. Ela foi transferida da 25ª DP (Engenho Novo). Perguntada qual das duas carceragens prefere, não titubeia: "Lugar nenhum é melhor que a minha casa".
Desde o início do Mutirão da Cidadania, no final do ano passado, a equipe de defensores públicos, assistentes sociais e estagiários visitaram 10 delegacias do Estado. Três mil presos foram ouvidos e 1,2 mil transferidos para presídios. Ontem (17), Grilo conseguiu a soltura de Rogério de Lima, que estava preso desde maio de 1998, por causa de um mandado de prisão inválido, já havia sido derrubado por alvará.

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