Supermercados vendem produtos transgênicos
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terça-feira, 20 de junho de 2000
Eduardo Magossi Agência Estado De São Paulo 
Os laboratórios Interlabor Belp AG, da Suíça, e o Umwelbundesamt, da Áustria, detectaram a presença de organismos geneticamente modificados (OGM) em dez alimentos comercializados no Brasil, 25% dos 42 analisados. Testes semelhantes realizados em Portugal, França, Bélgica e Itália registraram, respectivamente, 10%, 6%, 7,5% e 8% de transgênicos, um resultado bem inferior ao registrado no Brasil. As análises foram realizadas à pedido do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), que enviou 31 alimentos para teste na Suíça, e pela entidade ambientalista Greenpeace Brasil, que mandou outros 11 para a Áustria.
O alimento com maior teor de OGM é o Bacos, uma cobertura para saladas de sabor bacon, importado dos Estados Unidos pela Gourmand do Brasil. O exame encontrou uma percentagem de 8,7% de soja Roundup ready, a soja modificada geneticamente pela Monsanto, cujo plantio e comercialização são proibidos no Brasil. A mistura para o preparo de creme de milho verde, fabricado pela Knorr, registrou uma quantidade de 4,7% da soja transgênica. O creme de milho é fabricado e distribuído pela Refinação de Milho Brasil. Outro produto é o Cup Noodles, uma sopa sabor galinha fabricada da Nissin, importada dos Estados Unidos, com 4,5% da soja roundup read.
A salsicha tipo viena da Swift, em lata, fabricada no Brasil, contém 3,9% de transgênicos, segundo os testes. O cereal matinal Shake Diet, sabor morango, fabricado pela Olvebra, tem 1,5% da soja Roundup Ready. O Prosobee, um alimento para criança, fórmula não láctea, à base de proteína isolada de soja, distribuído no Brasil pela Bristol-Myers Squibb e fabricado no México pela Mead Jhonson, tem 1,9% de transgênicos. Em mais três produtos foram registrados menos de 1% de transgênicos. Um deles é o Nestogeno, da Nestlé, uma fórmula infantil de leite de soja para lactentes, a partir do sexto mês, com menos de 0,1% de transgênicos. O produto é fabricado pela Nestlé do Brasil.
O Soy Milke, alimento à base de soja fabricado pela Olvebra Industrial, contém menos de 0,1% da soja da Monsanto. O Supra Soy, alimento à base de soja, fabricado pela Josapar Participações a partir de ingredientes importados da Bélgica, contém 0,7% de transgênicos, segundo os testes em laboratório. Outro produto com presença de transgênicos é a Batata Pringles, onde foram encontrados traços do Milho BT176, da Novartis. A Batata Pringles é importada dos EUA pela Procter and Gambler.


