Sâo Paulo, 02 (AE) - Os supermercados foram os primeiros agentes da cadeia do agribusiness a perceber que a qualidade é um bom negócio. O Carrefour, por exemplo, multiplicou por cinco as quantidades vendidas de frango e camarão depois que adotou o selo de garantia de origem, em maio deste ano.
"As normas ISO, que atestam o padrão de qualidade, estão chegando ao campo", disse o diretor de Agronegócios do Carrefour do Brasil, Arnaldo Eijsink. O selo de qualidade da companhia existe na França desde 1993 e avalia cinco aspectos do produto: sanidade, sabor, visual, preservação do meio-ambiente e preocupação social no processo de produção, como a não utilização de mão-de-obra infantil.
No Brasil, por enquanto, o selo está avaliando a qualidade de dez produtos (camarão, frango, maçã, banana, laranja, uva, manga, cenoura, alho e mamão papaia), mas a perspectiva é ampliar seu uso para todos os perecíveis nos próximos 24 meses.Eijsink explicou que os técnicos da companhia visitam os produtores para avaliar os processos de produção. Além disso, é feita auditoria externa, mensal ou trimestral, dependendo do produto, para checar a qualidade.
O selo de qualidade do Grupo Pão de Açúcar foi criado em junho deste ano e abrange toda a linha de carnes e derivados. A intenção é ampliar sua utilização para todos os produtos in natura no prazo de um ano, contou o diretor de Comercialização do grupo, Wilson Barquilla.
No selo de qualidade do Pão de Açúcar está especificado que os produtos foram avaliados pelo Serviço de Inspeção Federal (SIF). Barquilla disse que, além de os técnicos da companhia visitarem as fazendas para avaliar os processos de produção, são colhidas amostras dos produtos quando são descarregados no depósito central e encaminhados para o laboratório da empresa. Em 30 lojas do Grupo, contou Eijsink, a carne vendida é controlada desde a criação do bezerro na fazenda até o abate e recebe o certificado da Fundação de Desenvolvimento da Pecuária de Corte (Fundepec).
Os supermercados descobriram na qualidade dos produtos e nas especificidades, como alimentos orgânicos (cultivados sem o uso de venenos) ou que não são geneticamente modificados, nichos a serem explorados."O consumidor já identifica o que é qualidade nos perecíveis", disse Eijsink. Segundo ele, a qualidade torna o consumidor fiel à loja, principalmente no caso das carnes. Esses nichos estão ganhando tanta importância, que a loja do Pão de Açúcar da Praça Panamericana, em São Paulo, reinaugurada na semana passada, reúne 80 itens, entre verduras, frutas e legumes orgânicos, num balcão com três metros de comprimento. "O consumo de orgânicos é crescente, apesar de esse segmento responder por uma pequena parcela do faturamento"
completou Barquilla.
"É preciso saciar a sede do consumidor", disse Eijsink
do Carrefour. Do ponto de vista do produtor, ele explicou que produzir de acordo com os padrões da sua empresa é "uma tranquilidade".Isso porque o Carrefour tem um acordo que facilita a venda do produto, se este estiver dentro das especificações requeridas. Além disso, o selo de qualidade atribuído pela companhia no Brasil é o passaporte para que o produto possa ser vendido para as lojas da rede em outros países.

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