São Paulo, 6 (AE) - Os supermercados confirmam os aumentos, mas alegam que eles poderiam ser ainda maiores se não tivessem feito pressão com os fornecedores e segurado os preços. "O varejo conseguiu segurar porque hoje está mais forte e concentrado", diz o diretor- comercial do Grupo Pão de Açúcar, Valdemar Machado.
Ele nega que a empresa tenha prometido evitar qualquer aumento de preço depois da desvalorização cambial. "Nunca foi dito que os preços não iam subir, mas sim que não subiriam na medida que as indústrias queriam."
Segundo o diretor do Pão de Açúcar, logo após a desvalorização, em janeiro, as indústrias pediram aumento de 40%
50%, mas o varejo não aceitou mais do que 10% a 20%. Isso fez com que o varejo buscasse novos fornecedores, que aceitassem manter o preço antigo.
Para o presidente da Associação Brasileira dos Supermercados (Abras), José Humberto Pires de Araújo, com demanda reprimida o espaço para repassar os aumentos é bem menor. Para ele, a grande contribuição do varejo na tentativa de segurar os preços foi procurar novos fornecedores para oferecer alternativas de produtos ao consumidor.
"Quem forma preços não é o comércio, mas a indústria", afirma. "Mas o varejo procurou negociar bastante para que os preços subissem o menos possível", diz.
O diretor de Economia da Associação Brasileira da Indústria da Alimentação (Abia), Denis Ribeiro, diz que a concentração maior que existe hoje no varejo fez com que o setor tenha assumido a função de formador de preços, em vez da indústria. "O varejo tem essa política de segurar os preços dos básicos, mas isso não aconteceu na indústria", diz Ribeiro.
Com a concentração ocorrida nos últimos anos no varejo, com a formação de grandes redes, o setor ficou mais forte para negociar preços. "O varejo está fazendo rodízio de fornecedor"
afirma o diretor da Abia.
"Os produtos com maior competição não subiram", diz o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Gêneros Alimentícios (Sincovaga), Wilson Tanaka. Ele acha que o que o consumidor sentiu no bolso foi o impacto do aumento das tarifas públicas. "Ele vê que o dinheiro está mais curto e acha que a culpa é dos supermercados", diz Tanaka. "O governo compete com o comércio pelo dinheiro do consumidor", afirma.

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