São Paulo, 21 (AE) - As principais redes de supermercados do País estão investindo cerca de US$ 1 bilhão este ano na ampliação de suas atividades, já tendo incorporado e adquirido outras redes menores, para aumentar o seu poder de faturamento, onde o que vale mesmo é uma maior venda por metro quadrado, isto é, uma alta produtividade, todos querem uma fatia maior do mercado estimado em R$ 60 bilhões.
"Estamos no mercado atentos as oportunidades", diz o presidente do Grupo Pão de Açúcar, Abílio Diniz, que em 99 já arrendou 25 lojas da Rede Paes Mendonça e duas das principais do Mappin, ainda recentemente.
Seu principal concorrente e líder de mercado, o Carrefour não fica atrás e já em 99 adquiriu três redes menores e seus investimentos devem superar neste ano a R$ 380 milhões, principalmente por causa de aquisições. Também o Carrefour não considera encerrado o seu ciclo de aquisições de novas redes menores. A analista especializada no varejo do Banco Fator, Juliana Chu, salientou que nesta disputa o consumidor deve sair ganhando, pois, "para conquistá-lo, nada melhor do que preços mais baixos. Preços melhores, atraem."
O Pão de Açúcar deverá inaugurar até o final do ano mais 13 hipermercados, chegando a 44 unidades desta rede no total que devem representar 50% do faturamento do Grupo. O Carrefour também tem expectativas de crescimento no faturamento, com as aquisições de redes menores que realizou.
O grupo norteamericano Wal-Mart deverá faturar o seu primeiro bilhão este ano no mercado brasileiro. No ano passado, faturou R$ 783 milhões. Tem entre o Sams Club e os Supercenters Wal-Mart, 14 lojas. Não revela o seu faturamento, mas no segundo semestre do próximo ano deverá inaugurar uma loja em Contagem (MG).
Suas lojas hoje estão instaladas em São Paulo. No Wal-Mart não se admite que houve uma desaceleração em seus planos para o Brasil: "Estamos cumprindo um cronograma de trabalho, nada foi desacelerado".
O grupo português Sonae também está nesta disputa, tendo faturado no ano passado, R$ 2,693 bilhões, espera um crescimento nas suas vendas em 99. E isto já está ocorrendo: o volume de negócios do primeiro trimestre da Sonae Distribuição Brasil foi de R$ 421 milhões, o que equivale à quase triplicação do valor (+185%) em relação ao mesmo período do ano passado.
Esta evolução é o resultado da abertura de novos supermercados BIG e das aquisições/associações com as cadeias Cândia, Mercadorama, Nacional e Exxtra. Em escudos, e incorporando o efeito da desvalorização, o acréscimo foi de cerca de 83% passando para cerca de 45 milhões de contos nos 3 primeiros meses de 1999.
No Brasil, a Sonae admite em análises internas "manter objetivos de crescimento e rentabilidade ambiciosos. O plano de crescimento orgânico contempla a abertura de 5 hipermercados BIG este ano e a remodelação de um grande número de lojas. A integração das novas cadeias prossegue com sucesso, esperando-se que os níveis de rentabilidade consolidados continuem a melhorar".
Outro forte concorrente de Pão de Açúcar, Carrefour e Sonae é o Grupo Bompreço, associado ao holandês Royal Ahold e liderado pelo empresário nacional João Carlos Paes Mendonça, faturou no ano passado R$ 2,410 bilhões e tem planos de investir em 99, cerca de R$ 150 milhões. Em 99 já adquiriu uma rede de seis lojas na Bahia, a Petipreço, que faturou em 98, cerca de R$ 155 milhões.
Sua filosofia é continuar investindo na Região Nordeste, devendo inaugurar em breve um hipermercado em São Luís, no Maranhão. "Com esta nova aquisição continuamos o processo de expansão,modernização e melhoria da operação de abastecimento de bens de consumo no Estado da Bahia e no Nordeste", disse João Carlos Paes Mendonça.
Atualmente o Bompreço tem 92 lojas, sendo 15 hipermercados, 56 supermercados e l8 minimmercados e tres magazines, instaladas entre a Bahia, Sergipe, Alagoas, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará, devendo chegar agora ao Maranhão.

mockup