Curitiba- Você já parou para pensar na quantidade de lixo reciclável que leva para dentro de casa depois de voltar das compras? Um supermercado de Curitiba adotou o projeto de mestrado em gestão ambiental da designer Dulce Albach, que propõe o descarte antecipado no próprio estabelecimento. O consumidor deixa, pelo menos, parte das embalagens de plástico e papel no ''caixa ecológico'', como foi batizado o guichê onde os materiais são coletados.
''Além do consumidor levar menos lixo para casa, é uma garantia de que esses resíduos terão o destino adequado'', ponderou Dulce. A idéia, segundo ela, foi inspirada na preocupação que outros países têm em relação à geração excessiva de resíduos. Há exemplos de estabelecimentos que orientam o cliente a levar sua própria sacola para carregar as compras, lembrou a mestranda. ''Meu projeto é uma releitura dessa idéia'', acrescentou.
Dulce acredita que o fato de as pessoas deixarem de levar embalagens para casa pode servir de estímulo, também, para as indústrias repensarem seus processos, adotando envólucros ambientalmente corretos.
O ''caixa ecológico'' funciona há quatro meses no supermercado Festval Barigui. Nesse período, foram arrecadados 50 quilos de papel e 30 quilos de plástico. O gerente da loja, João Alves, contou que os clientes já habituados com a proposta procuram o guichê, deixando caixas de bolo, gelatina, produtos congelados, rótulos etc.. A intenção é estender o projeto para outras lojas.
Os que ainda não conhecem o trabalho são orientados pela operadora do caixa. Keity Leila de Oliveira, uma das operadoras, disse que alguns clientes se mostram resistentes à idéia de deixar as embalagens, mas sempre há aqueles dispostos a colaborar.
Esse foi o caso da dona-de-casa Ana Maria de Camargo, que ainda não conhecia o ''caixa ecológico'' e fez questão de dar sua contribuição. ''Procuro ajudar de todas as maneiras para diminuir a quantidade de lixo que vai para o meio ambiente'', disse ela, garantindo que adota a separação dos resíduos recicláveis e orgânicos em casa. Ana Maria calcula que acumula, por semana, de material reciclável o equivalente a uma lixeira de 50 litros. Por isso, também, defende que a indústria reveja as embalagens e use materiais menos poluentes.
Além da questão ambiental, o projeto tem um viés social. A renda obtida com o material vendido para recicladoras é repassado para instituições assistenciais. A Escola Especial Nabil Tacla, mantida pela Associação Paranaense de Reabilitação (APR), foi escolhida para receber as doações.

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