Supermercado de SP que vendia alimento estragado pode ser interditado
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segunda-feira, 19 de abril de 1999
Por Gabriela Athias 
São Paulo, 20 (AE) - A Secretaria Municipal de Abastecimento de São Paulo (Semab) ainda não decidiu se vai multar ou interditar parcialmente o supermercado Big Cândia, do Ipiranga, na zona sul da Capital. Na segunda-feira, blitz da 1ª Delegacia de Crimes Contra a Saúde Pública apreendeu 1,7 mil quilos de alimentos impróprios para o consumo. A decisão depende da vistoria, que até o fim da tarde de hoje ainda não havia ocorrido. A seção de frios permeneceu lacrada durante todo o dia.
O delegado Gilberto Niezza, responsável pelas estatísticas da Divisão de Investigações sobre Infrações da Saúde Pública e Meio Ambiente, disse que estão aumentando as queixas dos consumidores contra os grandes supermercados. "Estamos muito apreensivos porque essas redes respondem por até 80% do abastecimento de São Paulo", diz. Niezza enfatiza que grande parte das reclamações sobre venda de alimentos impróprios para consumo está relacionada a produtos vendidos em promoções.
Niezza cita como exemplos a apreensão de salsichas feita nos supermercados Paes Mendonça e Wall Mart. A Assessoria de Imprensa do Wall Mart informou que o supermercado não concorda com o laudo feito pela delegacia. A diretora da Fundação Procon de São Paulo, Maria Inês Fornazaro, diz que o consumidor deve ter cautela em relação às promoções: "Não se deve comprar produtos com prazo de validade quase vencido."
Frios (por prazo de validade) e carnes (por falta de procedência) lideram o ranking das queixas por parte dos consumidores. No caso das salsichas em promoção, é frequente o supermercado abrir o pacote original para vendê-las em menor quantidade, em pequenas embalagens. Niezza explica que os inquéritos tentam apurar se a venda de produtos impróprios ocorre por determinação da direção da rede ou por iniciativa dos gerentes dos departamentos.
"As grandes redes monopolizam o mercado e o controle de qualidade está nas mãos delas", diz Niezza. As apreensões feitas pela 2ª Delegacia do Decon, entre os meses de março e abril, comprovam que as denúncias de irregularidades e apreensões ocorrem em praticamente todos os grandes supermercados.
Nesse período foram feitas três apreensões em lojas do Carrefour, duas no Extra e no Sé, uma no Makro e no Paes Mendonça. No Wall Mart, a apreensão foi feita por uma equipe da 1ª Delegacia. Hoje, no Cândia, os seguranças agrediram o repórter fotográfico Paulo Liebert, da AGÒNCIA ESTADO, empurrando-o para fora do estacionamento e tentando impedi-lo de fotografar, inclusive, a fachada do supermercado.


