Supermar pode investir em área que seria dda Ford no RS8/Mar, 16:22 Por Viviane Mottin São Paulo, 08 (AE) - No lugar dos carros, navios cargueiros. Se a estratégia da Supermar der certo, a área de 930 hectares em Guaíba (RS), desapropriada pelo governo gaúcho para receber a montadora Ford no município da Grande Porto Alegre, deverá abrigar o Terminal Guaíba (Tergua), complexo rodo-ferroviário e marítimo, contando também com infra-estrutura retroportuária. O investimento é estimado em R$ 350 milhões e o Tergua terá capacidade instalada para movimentar 2 mil contêineres, entre eles 300 do tipo Reefer - refrigerados, para produtos congelados e cítricos. A partir do sinal verde da Secretaria do Desenvolvimento e dos Assuntos Internacionais do Rio Grande do Sul (Sedai), a implantação do terminal demandará dois anos. Sedai - O chefe de gabinete da Sedai, Sérgio Kapron, afirma que o Projeto Teguar é um entre os analisados para ocupar a área disponível. "Há outros, de produção industrial, que podem ser instalados no terreno, mas falta a vontade expressa dos empreendedores. A Supermar apresentou um projeto bastante concreto", observa. Segundo ele, o Estado ingressou em juízo para cobrar da Ford os incentivos inciais para a construção da montadora, no valor nominal de R$ 134.880.540,84, mais juros e correção monetária, conforme o mercado financeiro brasileiro. "Quando os recursos voltarem aos cofres do Estado, vão subsidiar investimentos diversos. E o terreno da Ford não será doado ao próximo empreendedor, mas parte dele poderá ser usada como contrapartida do governo para novos empreendimentos que interessem ao desenvolvimento de Guaíba", adianta Sérgio Kapron. Consórcio - A Supermar é controlada pela empresa gaúcha Brasmarine - Agenciamento Marítimo, com participação minoritária da holandesa Supermaritime que tem sede na Suíça. Embora a Supermar responda pelo projeto, ele será erguido em consórcio formado por empresários dos segmentos de fertilizantes, cereais (trigo, cevada, milho e soja), sal, florestal, reciclagem de plásticos, automobilístico, siderúrgico, coureiro e calçadista, pedras semi-preciosas, metal-mecânica, celulose e agribusiness entre outros. "Já temos propostas de investidores internacionais do Chile, Itália, Holanda, França e Japão. Eles oferecem condições desde recursos a fundo perdido até participação acionária, para investir no empreendimento", informa o diretor de projetos da Supermar, Manoel Hercílio Souza Fernandes. O argumento da Supermar para constituir o terminal multimodal é que dali poderão sair navios de baixo calado, 19 pés ou capacidade de embarque para 400 a 500 contêineres. Sem transbordo - A maioria dessas embarcações dispensa transbordo em portos maiores, como o de Rio Grande, para realocação em navios maiores antes de seguir ao exterior. "De Guaíba, os navios poderão sair direto para Buenos Aires, capital Argentina, para os Estados Unidos e em direção ao Mediterrâneo. E, no futuro, poderemos enviar cargas refrigeradas também para a ásia", prevê Manoel Fernandes. O cais de Porto Alegre, diz ele, tem sua capacidade de movimentação para 200 contêineres/mês limitada pelo centro da capital gaúcha - não pode se expandir por falta de espaço. De lá saem navios com capacidade para cerca de 80 contêineres, o que permite navegação interior através dos rios Jacuí, Ibicuí e Lagoa dos Patos. Já para continuar em navegação pela costa brasileira e entre Etados da federação (cabotagem) ou de um continentes para outro (transoceânica), esses contêineres têm que ser embarcados em navios maiores. Economia - Pelos cálculos da Supermar, o Complexo Portuário Tergua vai gerar economia de 25% em mão-de-obra e 30% em tarifas portuárias. Quanto à mão-de-obra a redução de custos se dá pela dispensa do descarregamento e recarga dos contêineres em outro porto. E a área portuária será alfandegada, liberando navios para o exterior e recebendo diretamente os de bandeira estrangeira. Para o governo gaúcho, avalia Manoel Fernandes, a vantagem é que o custo de manutenção de uma hidrovia é de R$ 1 00 por quilômetro, enquanto a ferrovia demanda R$ 5,00 e a rodovia, R$ 25,00. Mas para que a nova área portuária seja viável, o governo do Rio Grande do Sul terá que entrar com a sua parte. "Com menos de R$ 50 milhões é possível fazer o canal de dragagem de três quilômetros e a bacia de evolução, área de manobra dos navios", contabiliza o diretor da Supermar. Construção - A implantação do projeto deverá empregar 5 mil trabalhadores. No terreno será instalada a área de interligação de ferrovias e rodovias à hidrovia fluvial. Além disso, dois terminais, sendo um para contêineres e outro para granéis, com pátios e equipamentos (guindastes, empilhadeiras e esteiras). De acordo com o projeto original, as empresas envolvidas no empreendimento deverão montar infra-estrutura de armazenagem, o que inclui prédios administrativos, de treinamento, segurança e controle. Também será construído um terminal para derivados de petróleo, munido de dutos e tanques-esfera, para receber produtos do pólo petroquímico de Triunfo e da Refinaria Alberto Pasqualini, da Petrobras. "A forma de parceria não está definida, mas sabemos que o terminal Santa Clara ainda não é alfandegado para a movimentação de contêineres", esclarece Manoel Fernandes. O terminal fluvial Santa Clara está instalado em área da Companhia Petroquímica do Sul (Copesul), que fornece matérias-primas para as indústrias de resinas termoplásticas do pólo petroquímico de Triunfo (RS). A idéia de construir o terminal, explica Fernandes, surgiu a partir da promulgação da Lei 8630/93. Ela prevê a operação portuária em terminais privativos fora da área de porto organizado, com o objetivo de tornar os portos brasileiros mais competitivos no mercado internacional.

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