Superlotado, CIT não tem água nem luz
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segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014
Paulo Monteiro<br>Equipe NossoDia 
Londrina - Treze presos passaram o final de semana e permaneciam até o início da noite de ontem no Centro de Triagem da Polícia Militar (CIT), ao lado da 10ª Subdivisão Policial, na área central de Londrina. O problema é que o espaço tem capacidade para nove pessoas. A superlotação causou muitos protestos por parte dos detidos, que chegaram a impedir que outros fossem encaminhados às três celas existentes.
O grupo não foi para o 4º e 5º distritos policiais porque as carceragens foram interditadas e estão impedidas de receberem presos desde o dia 14, após determinação do juiz da Vara de Execuções Penais (VEP), Katsujo Nakadomari.
Os presos reclamavam que desde sexta não tinham ido ao banheiro. "Aqui não tem água, não tem energia. Estamos dormindo sentados. Não há espaço", denunciou Dejailton Alves, de 37 anos, preso por suspeita de tráfico de drogas. "Não tem higiene. O calor é muito forte", disparou João Júlio Argentine, de 35, recapturado após fugir da Colônia Penal Agrícola de Piraquara (Região Metropolitana de Curitiba), onde cumpria pena por receptação.
O sargento Roberto Vaz, que trabalha no CIT há 13 anos, admitiu que a situação nunca foi tão grave. "Nunca vi isso. A realidade é caótica e desumana", comentou ele, que de tempo em tempo levava garrafas com água para dar aos presos durante a tarde. Familiares dos detidos foram várias vezes ao local para levar alimentos e produtos de higiene pessoal.
O vice-coordenador da Comissão dos Estabelecimentos Prisionais da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Mauro Martins, esteve no CIT. "O preso só deve ser mantido aqui até ser finalizado seu auto de prisão em flagrante e na sequência ser encaminhado ao distrito", explicou Martins, adiantando que foi confirmada para amanhã uma reunião para discutir a situação carcerária da região. A reunião terá a participação do juiz Nakadomari e promotores da VEP, representantes da Pastoral Carcerária, OAB e Comissão de Justiça Pública.
O delegado chefe da 10ª Subdivisão Policial, Márcio Amaro, disse que não pode fazer nada para acabar com a superlotação do CIT. "Estamos de mão atadas. Não posso encaminhá-los aos distritos pois a ordem judicial não deixa. A gente compreende a atitude do Poder Judiciário, que é de diminuir a superlotação e as condições precárias das carceragens, evitando assim problemas como fugas e arrebatamentos de presos, porém não basta interditar as cadeias e não nos dar uma solução", disse.
A reportagem tentou contato com Nakadomari, mas foi informada pela assessoria que o juiz não poderia conceder entrevista.
A assessoria da Secretaria de Estado da Justiça, Cidadania e Direitos Humanos (Seju) ressaltou que o juiz da VEP determinou em despacho que os presos devem ser encaminhados a cadeias públicas da comarca ou outros estabelecimentos indicados pela Secretaria de Segurança Pública (Sesp).
Segundo a Seju, até o final de semana a Penitenciária Estadual de Londrina (PEL) 2, que tem capacidade para 1.108, abrigava 1.104 presos. Já a PEL 1, que tem capacidade para 518, estava com 548 detentos. Na Casa de Custódia de Londrina (CCL), cuja capacidade é para 288 presos, havia 374. A assessoria da Sesp não atendeu aos telefonemas da reportagem.


