Superlotação: triste rotina na RML
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domingo, 11 de março de 2012
Danilo Marconi <br> <br> Reportagem Local 
Cambé - A superlotação do 2º Distrito Policial (DP) de Londrina virou recentemente caso de saúde pública. Grande parte dos cerca de 350 detentos está com problemas de pele. A situação motivou vistoria do local, que tem capacidade para 122 internos, por parte da Promotoria de Defesa da Saúde Pública, Vigilância Sanitária, Centro de Defesa dos Direitos Humanos, entre outros órgãos.
O uso das cadeias como verdadeiros depósitos de presos é, no entanto, uma triste rotina nas delegacias paranaenses. Tanto que o Estado abriga, de acordo com a Secretaria Estadual da Justiça, perto de 16 mil presos em DPs, sendo que a capacidade é para apenas 6.117 internos. O número de presos, portanto, está 161% acima do ideal.
A Região Metropolitana de Londrina (RML) abriga 956 detentos em delegacias, mas o número de vagas provisórias é de 428 - 245 presos já foram condenados e aguardam transferência para presídios. Excluídas as vagas dos distritos londrinenses, são 427 detentos para uma capacidade física de 222 - 111 presos são condenados.
Na Delegacia de Rolândia há o dobro de detentos em relação à capacidade. As dez celas, que deveriam abrigar 50, estão com 102 homens e seis mulheres, que ficam encarceradas em antigas salas administrativas adaptadas ao longo dos últimos 60 anos, desde a inauguração do prédio.
A carceragem é um barril de pólvora prestes a explodir. A disputa por espaço e o desconforto deixam os presos cada vez mais irritados. Nos últimos 30 dias, houve duas tentativas de fuga. Em fevereiro, os detentos serraram as grades e tentaram sair pelo pátio de sol. Na semana passada, um grupo tentou fugir usando cordas improvisadas com lençóis. Em ambos os casos, foram flagrados pelo circuito interno de vigilância. ''É muita gente para pouco espaço'', alerta o superintendente Ivanil Alves.
Com o calor excessivo, muitos detentos apresentam problemas de saúde. A exemplo do 2º DP de Londrina, os casos mais comuns são de doenças de pele. ''Problema de pele a maioria apresenta. O médico vem uma vez por semana, só que não resolve'', diz Alves. Dos 108 detentos, 59 já fora condenados pela Justiça e deveriam estar cumprindo pena em penitenciárias.
Na Delegacia de Cambé, a situação não é diferente. São 109 presos (sendo sete mulheres), mas a capacidade é para 52. O prédio tem 25 anos e apresenta diversos problemas elétricos e hidráulicos. ''Não tem água quente em nenhuma das celas para os homens. Como é calor na maior parte do tempo, o pessoal gosta para se refrescar. Mas alguns passam mal'', queixa-se um detento.
Recentemente dois homens foram levados para o pronto-socorro da Santa Casa de Cambé, diagnosticados com gripe forte. No ano passado, alguns homens tiveram tuberculose. Na semana passada, operários consertaram a rede de esgoto, que apresentou vazamento. ''Ficou fedendo bastante. Com aquele calor chegou até a dar dor de cabeça'', conta Lara. ''Aqui, 80% dos policiais civis cuidam de presos. O trabalho de investigação fica prejudicado'', lamenta o delegado Jorge Barbosa.
O trabalho de investigação praticamente não existe em pelo menos três dos 11 municípios da Região Metropolitana de Londrina (RML). Em Tamarana, por exemplo, o prédio da delegacia está fechado há dois anos.
O caso mais grave de superlotação é o da Delegacia de Sertanópolis. São 44 presos, onde deveriam ficar apenas 12. Uma operação recente do Grupo de Atuação Especial e Combate ao Crime Organizado (Gaeco) prendeu de uma só vez 18 traficantes de gangues rivais e eles dividem as mesmas celas. No dia 1º de fevereiro houve uma briga na carceragem. ''Os presos ficaram nervosos, jogaram as marmitas no chão e não quiseram entrar nas celas'', relata o delegado Paulo Gomes.
Em Assaí, onde 35 presos ocupam celas projetadas para 24, não há mais espaço para construção de fossas. ''Este prédio é da década de 80. Já foram furadas tantas fossas no quintal que não tem mais espaço físico'', conta o delegado Adair de Oliveira. Ele acumula funções nas delegacias de São Sebastião da Amoreira e de Nova América da Colina.
O assessor da Pastoral Carcerária, Edivan Pedro dos Santos, não poupou críticas ao Estado e à Justiça. ''O Estado não cria vagas há muitos anos e os juízes não aplicam penas alternativas por uma questão cultural, por achar que manter um cidadão preso é a única forma de punir alguém.''


