Superlotação revela atrito com o SUS
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quinta-feira, 05 de fevereiro de 2009
Eli Araujo<Br> Reportagem local 
Londrina - O setor de atendimento a recém-nascidos que precisam de atenção especial do Hospital Evangélico de Londrina ficou superlotado ontem. Para complicar a situação, pelo menos três pacientes em trabalho de parto foram encaminhadas ao pronto-socorro do hospital até o final da tarde. Mas o que parecia ser um problema de falta de leitos, evidenciou a divergência entre o HE e a Autarquia Municipal de Saúde.
A gestora operacional do Evangélico, enfermeira Alda Hayashi, disse que o hospital não tinha mais como atender as gestantes que chegassem a partir daquele momento porque a UTI neonatal e pediátrica, que tem capacidade para sete crianças, já estava com uma a mais. E a Unidade de Cuidados Intermediários, com capacidade para 10 recém-nascidos, estava com 15 crianças.
Os médicos que fazem o atendimento no pronto-socorro, segundo Alda, alertaram a direção do hospital de que não havia mais condições de atender nenhuma paciente no setor sob a ameaça de colocar em risco a vida da mãe e da criança.
O problema começou no dia 20 de janeiro, quando a direção do hospital encaminhou um documento à Secretaria de Saúde, à Promotoria Pública, a outros órgãos e hospitais da cidade, informando que precisaria reduzir o número de leitos na UTI por causa de readequações nos respectivos setores.
A gestora operacional Alda Hayashi disse que, estranhamente, a partir daquele momento aumentou o número de encaminhamentos ao hospital, o que ela classifica como provo-cação.
Alda afirmou que na manhã de ontem um atendente do Samu chegou com uma gestante e forçou a entrada no hospital, mesmo sendo informado que não havia vagas. Ele simplesmente disse que chamaria a Polícia se não fosse realizado o atendimento, afirma a enfermeira.
Para a responsável pelo setor de encaminhamentos do Sistema Único de Saúde em Londrina, Zandira Batista, o hospital está distorcendo os fatos. Segundo ela, o Evangélico tem um contrato com o município para este tipo de atendimento e não está cumprindo este contrato.
Zandira comentou que recebeu apenas um fax do hospital falando das readequações, o que, segundo ela, não é suficiente do ponto de vista contratual. Eles deveriam pedir autorização antes de iniciar a reforma e não houve nenhuma solicitação neste sentido, o que ficou entendido que o número de leitos continuava disponível, afirma.
Ao ser informada que um atendente do Samu teria forçado a entrada, sob a ameaça de chamar a Polícia, Zandira não deixou por menos. Não sei se a pessoa fez isso mas, se fez, está correta porque o hospital é contratado e não pode negar atendimento.


