Superlotação na Febem deverá estar resolvida somente no final de 2000, diz secretária
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domingo, 12 de setembro de 1999
Por Marcia Furlan 
São Paulo, 13 (AE) - A secretária de Desenvolvimento e Assistência Social de São Paulo, Marta Godinho, afirmou hoje que os problemas de superlotação nas unidades da Fundação Estadual do Bem-Estar do Menor (Febem) deverão estar resolvidos somente no final do próximo ano, quando devem estar concluídas as novas unidades para abrigar os menores. As obras, que só serão concluídas se forem mantidos os recursos destinados a elas, deverão resolver o déficit de vagas, estimado em 1,5 mil. As novas unidades estão espalhadas por diversos municípios e prevêem a descentralização da instituição. As primeiras 416 vagas, localizadas em São José do Rio Preto, Campinas, Guarujá, Raposo Tavares e Coronel Mursa, devem ser entregues em 15 dias.
No último final de semana, cerca de 500 menores fugiram em rebeliões na unidade Imigrantes. As imagens de violência contra os internos praticada por monitores, alguns encapuzados, foram transmitidas pelas emissoras de televisão. O local tem capacidade para 350 meninos e abriga 1,6 mil. A secretária afirmou que a equipe de funcionários da unidade é "bem formada", mas que ainda existem alguns monitores que resistem em abandonar a cultura de violência que sempre marcou a instituição. De acordo com ela, já foram demitidos mais de 600 funcionários que não se encaixavam na nova filosofia.
Marta Godinho não descartou a possibilidade de novas rebeliões. "Enquanto tivermos superlotação será difícil melhorar a situação", disse. Na sua avaliação, o crescimento da criminalidade, o Estatuto da Criança e do Adolescente e a eficiência da polícia ("que está prendendo mais") têm colaborado para que haja excesso de internos. A secretária não considera que a situação da Febem esteja fora de controle, embora tenha havido três rebeliões no prazo de um mês. "Rebelião não é falta de controle. Ela muitas vezes mostra que a crianca está viva", afirmou.


