Londrina - O Pronto-Socorro do Hospital da Zona Sul (HZS) em Londrina ficou fechado durante grande parte do dia ontem - de manhã até por volta das 15 horas - devido à superlotação de pacientes. O movimento foi maior durante a manhã quando pelo menos 13 pacientes se acumulavam nos corredores do hospital, além de outros que aguardavam atendimento na recepção.
''O pronto-socorro não ficou fechado. Ficou restrito. Comunicamos o Samu, Siate, Promotoria de Saúde para que não encaminhassem pacientes ao hospital. Mas os pacientes que chegavam espontaneamente passavam pela triagem e avaliação. Se fosse constatado que não era um caso para o hospital de atendimento secundário o paciente era orientado a procurar uma unidade de saúde'' afirmou o diretor do HZS, Weber Arruda Leite.
Desde o início do ano o hospital só estava atendendo pacientes do Samu, Siate ou encaminhados por postos de saúde. De acordo com o diretor, na segunda-feira, o hospital voltou a receber pacientes de procura espontânea, que não eram levados pelo Siate, por exemplo. ''Na última sexta-feira a Secretaria de Saúde pediu para que voltássemos a atender'', afirmou. Segundo Leite, durante os dias em que o hospital funcionou sem procura espontânea eram atendidos em média 35 pacientes, enquanto com a procura o número pula de 180 a 250 por dia.
De acordo com o diretor, uma das causas para superlotação é a falta de atendimento nos postos de saúde da região. A técnica em enfermagem, Tereza da Silva, procurou o HZS depois de não ser atendida no posto do Cafezal, bairro onde vive. ''Meu filho está com conjuntivite. Fiquei duas horas no posto esperando para eles me dizerem que não tinha médico. Estou aqui há uma hora e meia e ainda não sei se vão me atender. A saúde em Londrina está péssima'', protestou ela.
O pintor Claudio Fernandes também não encontrou atendimento no posto de saúde do Parque Ouro Branco. ''Estou com uma dor na barriga, acho que é apendicite. Faz uns 40 minutos que cheguei aqui, mas me falaram que vai demorar pelo menos umas duas horas até ser atendido'', disse.
De acordo com o diretor do HZS, o hospital deixou de atender a procura espontânea no início deste ano para funcionar apenas como hospital secundário, que é sua classificação.
O Hospital da Zona Norte (HZN) também poderia tomar a mesma medida, fruto de um acordo do Comitê de Urgência e Emergência no ano passado, mas o HZN continuou atendendo procura espontânea.
O secretário de Saúde, Edson de Souza, afirmou ontem que a Unidade de Saúde do Parque Ouro Branco (Zona Sul), está fechada para reformas. ''Em relação ao Cafezal há quatro médicos que atendem no local. Todas as unidades têm médico'', garantiu. O secretário negou que haja furo nas escalas dos postos de saúde e que a superlotação do hospital seja culpa do atendimento básico.

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