Superlotação é herança de governos anteriores, diz Zveiter
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domingo, 29 de agosto de 1999
Por Andréia Maia e Felipe Werneck 
Rio de Janeiro, 30 (AE) - O secretário de Estado da Justiça, Sérgio Zveiter, admitiu hoje que há superlotação nas delegacias do Rio de Janeiro, mas disse que isso seria uma "herança" de governos anteriores. A demora na transferência de condenados para penitenciárias foi - segundo a versão dos presos - a causa da rebelião ocorrida na 14ª Delegacia de Polícia (Leblon), na zona sul da capital fluminense.
O próprio delegado-titular da 14ª DP, Rogério Marchesini, criticou a superlotação da unidade e defendeu que os presos sejam transferidos para Casas de Custódia. "Isso aqui é uma verdadeira penitenciária, são oito Bangu 1", afirmou, referindo-se à capacidade da prisão de segurança máxima, na zona norte do Rio.
Com a transferência de hoje de 52 presos condenados, a 14ª DP continua com 208 detentos acima da capacidade considerada segura pelo delegado. "Nossa capacidade é de 160 presos, já com boa vontade."
Marchesini disse, porém, que as celas são seguras e que o efetivo da delegacia na noite da rebelião - três carcereiros, três detetives e dois policiais militares - era suficiente.
"A preocupação é permanente, mas, apesar da superlotação, as celas são seguras". Ele defendeu, assim como o secretário de Segurança Pública, coronel Josias Quintal, a abertura de sindicância para apurar o procedimento do carcereiro Adilso Rodrigues, primeiro a ser feito refém.
O secretário de Justiça afirmou que os presos que aguardam julgamento serão transferidos, em breve, das delegacias para presídios que estão sendo transformados em Casas de Custódia: Milton Dias Moreira, no Complexo da Frei Caneca, no centro, e Esmeraldino Bandeira, em Bangu, na zona oeste.
Zveiter anunciou que vai entregar na próxima semana um projeto de privatização para o sistema penal - semelhante ao modelo francês - ao governador Anthony Garotinho.
Ele disse também que uma comissão da secretaria de Justiça está investigando a denúncia do suposto envolvimento de funcionários do Departamento do Sistema Penal (Desipe) que trabalham nas penitenciárias com presos de alta periculosidade, permitindo o acesso a telefones celulares, drogas e armas em troca de recebimento de propinas.
"Não podemos mais admitir desvio de condutas de funcionários, regalias de presos, rebeliões e fugas que acabam provocando uma insegurança na sociedade."


