Superintendente-executivo do BB diz que orçamento do Proex para 2000 não é suficiente
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quarta-feira, 22 de dezembro de 1999
Por Mariângela Herédia 
Brasília, 22 (AE) - O orçamento de US$ 1,7 bilhão proposto para o Programa de Financiamento às Exportações (Proex) em 2000 não será suficiente para atender às metas do governo de ampliação das vendas externas e consequente superávit da balança comercial, na avaliação do superintendente-executivo da Unidade de Negócios do Banco do Brasil (BB), Nélio Henriques Lima. Ele acredita que seriam necessários US$ 3 bilhões para atender com folga as demandas do programa em 2000. Em 1999, o orçamento do Proex foi de US$ 1,6 bilhão. "Se houver um pequeno aquecimento de demanda, vai faltar recursos", afirmou. Lima ressaltou que o governo fez ajustes no Proex como a redução das taxas de equalização de até 3,5% para 2,8%, revisão da tabela de produtos atingidos e a diminuição dos prazos de financiamento para 60 dias. "A intenção das medidas é fazer como que o Orçamento de 2000 seja suficiente", explicou. Em 1999, o BB conseguiu atender à demanda do Proex com um orçamento de US$ 1,6 bilhão, mas o desempenho da balança comercial foi ruim. O superintendente observou que o governo trabalha para que o Proex não desaqueça e disse que ainda não foi feito um levantamento para dimensionar a importância do programa no desempenho da balança comercial, uma vez que existem outras linhas de crédito para exportação. "A nossa intenção é direcionar cada vez mais o Proex para as pequenas e médias empresas, pois ele é o programa que mais se adequa a esse porte", assegurou. Dos 266 exportadores que tiveram financiamentos do Proex em 1999, 68,8% são de pequeno e médio portes e, de acordo com Lima, a participação expressiva resulta da ação desenvolvida pelo BB com o objetivo de apoiar esse segmento exportador. Em 1997, essa participação foi de 20%, chegando a 42% em 2000. Quanto às exportações aprovadas neste ano, as pequenas e médias empresas participaram com US$ 169,9 milhões - 16,27% do total. Na avaliação do superintendente do BB, as grandes empresas exportadoras deverão cada vez mais buscar financiamentos no próprio mercado, deixando o Proex quase que totalmente para as pequenas e médias empresas. "Não tem linha menos burocrática no País que o Proex", afirmou.O balanço apresentado hoje pela equipe da Unidade de Governo do BB revela que foram feitas 719 operações de financiamento no Proex em 1999, no total de US$ 1 044 bilhão, envolvendo 266 exportadores e 47 países importadores. E 4.407 operações de equalização referentes a exportações de cerca de US$ 13 bilhões, com desembolso do Proex estimado em US$ 1 bilhão. Apesar de o total chegar a cerca de US$ 2 bilhões, o superintendente explicou que muitas operações não foram registradas e o desembolso poderá ficar para o próximo exercício. Cerca de 45% do total de recursos destinado às operações de equalização no Proex este ano foram destinados à Empresa Brasileira de Aeronáutica (Embraer), de São José dos Campos, no Vale do Paraíba (SP), para a exportação de aviões, e Lima anunciou que o governo estuda um programa específico para a empresa. Do total de 4.407 operações de equalização de janeiro a novembro, o setor de transporte respondeu por 55%, dos quais 48% para os segmentos de aviões e helicópteros. Em seguida, vieram os setores de agribusiness (20,5%) e máquinas e equipamentos (11 3%). A maior parte das operações aprovadas (75,4%) foi para São Paulo, seguido de Santa Catarina (9.7%), Espírito Santo (7,2%), Paraná e Rio Grande do Sul, com 2,7% cada.


