Superintendente do Serviço Funerário pede demissão
São Paulo, 19 (AE) - O superintendente do Serviço Funerário Municipal, José de Vasconcelos Cunha, pediu demissão hoje ao secretário de Governo, Carlos Augusto Meinberg. O pedido ocorreu três dias após a divulgação, por promotores do Ministério Público Estadual, de uma lista encontrada em sua mesa que comprova o loteamento dos cargos do órgão entre vereadores, deputados estaduais e federais. Segundo Meinberg, ele havia sido posto no cargo exatamente para combater o loteamento dos cargos públicos entre os vereadores. A exoneração deve sair quarta-feira no Diário Oficial do Município.
Não são apenas os nomes da lista que mostram relações entre o Serviço Funerário e a máfia dos fiscais. A reportagem apurou que um dos três diretores indicados por Cunha quando assumiu a superintendência, há um mês, é suspeito de ser funcionário fantasma na Anhembi Turismo e Eventos. Trata-se do ex-administrador regional de Perus Almir Pinto, que trabalhou na AR da Freguesia do à por indicação da vereadora Maria Helena (PL). "Parti do princípio de que as três indicações de Cunha eram bons nomes", disse hoje Meinberg. "São mais de 100 mil servidores e não posso trabalhar em cima de hipóteses".
A nomeação de Pinto para o Anhembi está sendo investigada pela polícia. Os outros dois diretores nomeados por Cunha, Joaquim Ferreira Neto e Carlos Alberto de Oliveira Dória, são ligados ao PL e à vereadora. O secretário atribuiu a demissão do superintendente a "motivos pessoais". Ele não soube explicar por que a lista de indicações estava na mesa de Cunha. Na sexta-feira, o ex-superintendente disse que as indicações existiam, mas eram anteriores à sua administração. "Reconheço as indicações, mas o prefeito (Celso Pitta, sem partido) já ordenou que as demissões ocorrerão em breve".
Hoje, Meinberg disse que o fato de haver indicações não significa que cada administrador de cemitérios seja demitido. "O critério é pôr pessoas que tenham capacitação técnica e idoneidade moral", afirmou. "Não quer dizer que todos vão ser substituídos". Crítica - O vereador Miguel Colasuonno (PPB) disse hoje que a lista apreendida na sexta-feira, contendo indicações de vereadores e deputados para cargos em cemitérios, é "fajuta". "É mais uma das listas fajutadas que andam por aí". Ele reagiu jocosamente à relação - "de morto não entendo nada" - e garantiu não ter idéia de quem sejam os supostos indicados em seu nome para o Cemitério São Paulo e Agência Central.
O promotor Roberto Porto, um dos responsáveis pela apreensão, rebateu a tese de Colasuonno e disse que vai encaminhar a lista para a Promotoria de Justiça da Cidadania do Ministério Público, para que seja apurada eventual improbidade administrativa. "Se a lista é fajuta, por que estava na mesa do superintendente, com timbre da Prefeitura?", perguntou. "Não vejo por que alguém do próprio gabinete do Serviço Funerário forjaria uma lista dessas".
A relação, datada do dia 6 de julho, mostra a indicação de políticos da base governista (à exceção do vereador Gilson Barreto, do PSDB) que seriam os responsáveis pela nomeação de administradores e funcionários de cemitérios, do Crematório de Vila Alpina e da Agência Central. Entre os citados estão o secretário das Administrações Regionais, Domingos Dissei, e dois membros da extinta CPI dos Fiscais, Brasil Vita (PPB) e o relator Milton Leite (PMDB). Dissei disse hoje que não indicou nenhum dos dois citados na lista, apesar de conhecê-los. (A.L.C.)





