Israel Reinstein
O superintendente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), José Carlos de Araújo Vieira, afirmou ontem que está disposto a receber os manifestantes da marcha dos sem-terra, que chegam em Curitiba no próximo dia 8. Mas ele avisou que as discussões vão se concentrar apenas em aspectos técnicos. ‘‘Reforma agrária não é uma reivindicação dos movimentos sociais, mas de toda a sociedade. E deve ser tratada de maneira técnica, com a menor participação política’’, disse.
Vieira declarou que em sua gestão vai fugir das pressões políticas que os demais superintendentes sofreram. Para isso, ele pretende responder às críticas dos sem-terra e dos ruralistas, com agilidade e despolitização das conversas. ‘‘O processo não é exclusividade de ninguém, muito menos bandeira de partidos ou movimentos políticos.’’
O superintendente afirmou que, a partir de agora, todo o trabalho do Incra vai se embasar nos cadastros que o instituto começou a levantar. O superintendente preferiu não informar quantas famílias deverão ser cadastradas, mas existe a estimativa de atendimento de 7 mil.
Ele lembrou que a reforma agrária vai obedecer o seguinte cronograma: cadastro, seleção das famílias, levantamento topográfico e assentamento. ‘‘Em cima da demanda apontada em cada região, serão feitos os assentamentos’’, disse. Para ele, as regiões de maior protesto não serão as primeiras a serem atendidas, referindo-se aos conflitos de Querência do Norte.
Quanto às desocupações promovidas pelo governo estadual, ele afirmou que estão sendo legítimas por obedecer um mandado judicial. ‘‘Existem 106 áreas ocupadas no Paraná, sendo que cinco são produtivas’’, afirmou, acrescentando que os invasores devem ser retirados dessas terras.
Vieira informou que as últimas desocupações atrapalharam as conversações com os sem-terra. ‘‘Mas a porta não está fechada’’, afirmou. Conforme o superintendente, ele tem jogo de cintura para superar as dificuldades nas negociações. ‘‘Trabalho há 42 anos nesse setor, sendo que 15 conversando com os movimentos sociais.’’
O superintendente acrescentou que tem bom relacionamento com as lideranças dos sem-terra para mostrar a nova filosofia do Incra. ‘‘Fui eu quem assentei os pais de Gilmar e Rogério Mauro’’, disse. ‘‘Do bom resultado desse processo, surgiu um bom agricultor, capaz de formar as lideranças que hoje comandam o movimento.’’

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