Rio, 19 (AE) - O superintendente regional do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) no Rio, Renato Osório Coimbra, anunciou hoje a meta de assentamento do órgão para este ano no Estado. Segundo ele, de 500 a 600 famílias de sem-terra que hoje vivem em acampamentos provisórios, principalmente no norte fluminense, serão transferidas até dezembro para terras desapropriadas pelo instituto. "Com o novo projeto de reforma agrária, o trabalhador rural vai deixar de ser um cliente do governo para tornar-se um agricultor", disse. "O trabalho será feito de forma integrada entre Estado e municípios, permitindo o desenvolvimento do meio rural".
Coimbra afirmou que existem hoje cerca de três mil famílias assentadas em terras do Incra no Estado do Rio. Estão em andamento 27 projetos de assentamento no norte e nordeste fluminense. O superintendente deu como "exemplo de sucesso" a experiência realizada em Cachoeiro de Macacu. Segundo ele, 80% da produção agrícola da cidade é proveniente de terras usadas na reforma agrária. "É preciso que os trabalhadores rurais sejam considerados pequenos produtores, adquiram auto-suficiência, com efetiva participação na economia do Estado", disse.
O superintendente ressaltou que haverá a discussão técnica do valor da terra, por meio de uma comissão formada por trabalhadores e membros do Incra. "Antes, isso era feito de maneira unilateral, mas agora haverá a oportunidade de se discutir os valores". O valor do crédito de instalação dos assentados passou de R$ 3,9 mil para R$ 5 mil.
De acordo com o governo federal, cerca de 80 mil assentados no País migrarão para essa nova linha de crédito, que resultou da fusão do Programa de Crédito Especial da Reforma Agrária (Procera) e do Programa Nacional de Fomento à Agricultura Familiar (Pronaf). "O preço que o trabalhador terá de pagar pela terra será o inicial, fixado pelo Incra", garantiu o superintendente.

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