O superintendente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) do Paraná, José Carlos Vieira, esteve ontem na Unidade Avançada Iguaçu do Incra, em Francisco Beltrão, para sua primeira visita no interior após a sua posse, que aconteceu na segunda-feira. Ele quer se inteirar da realidade de todas as unidades do Estado e iniciar o planejamento da Reforma Agrária no Paraná.
A área de maior conflito agrário, que pertence à Unidade Avançada Iguaçu, é a Araupel S.A, ocupada nesta semana pelo MST. O superintendente disse que não se justifica a invasão da propriedade. No ano passado o Incra vistoriou a área e considerou produtiva. Outro aspecto que ele analisa é que a empresa emprega cerca de 1.300 famílias da região de Quedas do Iguaçu e que já auxiliou no processo de Reforma Agrária com a desapropriação de 28 mil hectares.
Vieira disse que o Incra não pode se manifestar a respeito da Araupel e que não pode ir no local da ocupação porque estaria a ‘‘reboque’’ no processo, e não é este o caminho. Ele já solicitou ao prefeito de Quedas do Iguaçu, Pedro Giraldi (PTB), que o município cadastre todas as famílias invasoras. ‘‘O Incra ainda precisa conhecer a realidade’’, afirmou.
Segundo o superintendente, a Araupel preocupa o município, o Estado e o País e que a solução seria chamar o MST para uma negociação e retirada pacífica das famílias. ‘‘Ainda não é o momento do Incra interferir, mas estou disposto a colaborar neste processo’’, salientou.
Para ele, o MST deve fazer uma reflexão, pois a ocupação daquela área contraria até os Direitos Humanos. ‘‘A Reforma Agrária não é uma particularidade do movimento e sim uma necessidade social’’. Vieira diz que respeita a pressão social do MST, pois é a razão dele existir. ‘‘Mas nem por isso o Estado deve concordar com o desequilíbrio provocado pelo movimento’’, argumentou.
De acordo com José Carlos Vieira, o Incra tem que alterar algumas normas. O assentamento de famílias deve ser regido por especificações técnicas e não pela emoção. ‘‘É necessário a análise sócio-econômica das famílias, levantamento de áreas, desapropriações passíveis e principalmente assentar quem tem perfil de agricultor’’, disse.
‘‘A invasão por invasão não se justifica, é necessário disciplina’’ , ressaltou Vieira. Ele disse que é necessário uma parceria entre o Paraná e o governo federal no processo da Reforma Agrária. Vieira destacou que até 1986 o Estado esteve presente em todos os projetos de assentamento, com uma equipe técnica, o que gerou resultados benéficos na questão da terra.Jacir WalterJosé Carlos Vieira: empresa emprega 1.300 famíliasSandra Mara Mendes
Especial para a Folha

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