São Paulo, 10 (AE) - O superintendente do Hospital do Servidor Público Municipal de São Paulo, Houssein Hassan Yaktine
foi demitido ontem (09) pelo prefeito Celso Pitta (sem partido) porque se utilizou de uma fraude na época da própria contratação
há dez meses. Para ocupar o cargo, Yaktine precisaria ter feito um curso de direção hospitalar, com duração de 600 horas. O diploma de especialização que ele apresentou, do Centro Universitário São Camilo, era falso.
A denúncia da irregularidade chegou ao corregedor da administração municipal e vice-prefeito, Régis de Oliveira (PFL)
que avisou o secretário da Saúde, Jorge Roberto Pagura. Checado o documento fornecido por Yaktine, constatou-se que não havia registro dele no Centro Universitário São Camilo, que fica em Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo.
"Ele é cardiologista, um bom profissional", disse o secretário de Comunicação Social da Prefeitura, Antenor Braido. O problema é que, de acordo com a legislação municipal, para exercer a função de superintendente de hospital, o médico precisa fazer o curso de 600 horas. "Faltava só esse requisito." O diploma foi apresentado à área de Recursos Humanos do hospital, que não achou necessário checá-lo.
Hoje, o endocrinologista Antonio Carlos de Sá, de 49 anos, diretor da Divisão Médica do hospital, assumiu interinamente o cargo. "Ficamos chocados com a notícia", contou. Segundo ele, a exoneração de Yaktine era esperada, mas não por esse motivo. "A fraude foi uma surpresa que constrangeu a classe médica", disse. "Mas o hospital tinha problemas administrativos e muitas queixas de usuários."
A falta de leitos e de medicamentos são algumas reclamações. Por isso, a primeira providência a ser tomada por Sá vai ser a reativação de leitos. Dos 300 do hospital, 80 estão desativados. Localizado na Rua Castro Alves, 60, o Hospital do Servidor Público Municipal, o conhecido Hospital Vergueiro, presta serviço aos funcionários da Prefeitura e ao dependentes deles, cerca de 550 mil pessoas. No pronto-socorro, chega a atender 350 pacientes por dia.
Sá começou a formação como residente no Hospital do Servidor, onde passou boa parte da vida profissional. Foi chefe do PS e assistente da Clínica Médica Endocrinológica. Depois de uma temporada no Hospital das Clínicas (HC), voltou, há sete meses, convidado por Pagura.

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