Brasília, 14 (AE) - Por discordar da substituição de dois assessores, o superintende da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), Aloísio Sotero, pediu demissão do cargo nesta terça-feira (14) e o ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra, aceitou.
O ministro queria trocar o superintendente adjunto, Otto Glasner, e o diretor de administração e investimento, Roldão Torres. "Eu entendo que esses dois cargos são estruturadores da nossa gestão", justificou Sotero, afirmando ainda que não teria condições administrativas de prosseguir no projeto de transformar a Sudene numa Agência de Desenvolvimento do Nordeste.
Bezerra garantiu que ainda não tem nome definido para a vaga de Sotero, mas deixou clara a sua intenção de que pretende aproveitar a saída dele para ocupar o cargo com integrantes do PMDB, seu partido. "É natural que seja do PMDB", comentou o ministro, justificando que é no seu partido que conhece o maior número de pessoas. Mas diz que manterá "muito provavelmente" um nome de Pernambuco no lugar de Sotero. O ministro diz que a definição do novo superintendente será feita em conjunto com o presidente Fernando Henrique Cardoso.
Sotero foi indicado pelo vice-presidente Marco Maciel, do PFL. Mesmo assim, Bezerra acredita que não haverá problemas para escolhar um peemedebista. "Fazemos parte da base de sustentação do governo", ameniza o ministro, lembrando ainda que a saída de Sotero foi uma decisão "unilateral" de um integrante do PFL.
Bezerra ressalta ainda que ao critério político se somará a capacidade e a competência para a escolha do novo superintendente.
Sotero participou da reunião sobre novas regras para frente de trabalho, como forma de combate à seca, antes de pedir demissão formalmente ao ministro em seu gabinete. Ao final da reunião, o ministro que a presidia chegou a tentar disfarçar a crise, dizendo que Sotero iria "executar as políticas definidas pelo ministério".
Isto porque outro motivo que levou o superintendente a deixar o cargo é a decisão do ministro de enxugar o quadro de pessoal da Sudene antes do prazo de um ano que Sotero julgava necessário para criar a agência de desenvolvimento. "O ministro entende que o timing de redução dos quadros da Sudene é diferente do que eu acho adequado", afirmou logo após pedir a demissão.
Bezerra garante não ser necessário tanto tempo para fazer o que é óbvio. E diz que não fará a redução de forma irracional. "Não seria tarado nem louco de colocar as pessoas em disponibilidade sem um estudo", afirmou o ministro. "Sou um empresário que busca a eficiência." Para Sotero chegou a hora de sair: "não sou carreirista, faço administração pública por vocação".

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